
A 76 dias das eleições de meio de mandato que podem redesenhar o controle das duas casas do Legislativo, os democratas celebram sucessivos triunfos nas primárias da Flórida — um dos principais estados-pêndulo nas eleições americanas e residência do presidente Donald Trump. Para Richard Mullaney, cientista político do Instituto de Políticas Públicas Haskell da Universidade de Jacksonville (Flórida), o fato mais surpreendente — "de longe" — foi a "vitória inesperada e impressionante de Angie Nixon na disputa pela indicação democrata no Senado".
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Integrante dos Socialistas Democráticos da América (DSA, pela sigla em inglês), a ala esquerdista do Partido Democrata, Angie superou ou ex-militar Alexander Vindman, até então tido como o favorito, para disputar uma vaga no Senado, em 3 de novembro. Ante a derrota inesperada de seu candidato, Trump não poupou Vindman: chamou o veterano condecorado de "canalha traidor". O titular da Casa Branca também previu a "segunda derrota" de Nixon frente a seu adversário republicano em novembro.
"Angie Nixon enfrentará, naturalmente, a republicana Ashley Moody na eleição geral. Será uma batalha árdua para Nixon em novembro. A Flórida é um estado republicano e muito diferente de Nova York, Maine, Michigan ou Minnesota, por exemplo, onde candidatos progressistas e populistas obtiveram sucesso", afirmou Mullaney ao Correio.
O estudioso lembrou que Angie Nixon é da ala progressista e mais populista do Partido Democrata. "Ela é parte de uma grande divisão na legenda. Esse fenômeno, a possível fragmentação do partido, mostra-se mais evidente em Nova York, Minnesota, Michigan, Wisconsin e outros estados de maioria democrata ou decisivos (os chamados 'swing states')", destacou Mullaney. "O cenário é diferente na Flórida, onde a eleição geral representará um grande desafio para Angie Nixon."
Mullaney não acredita que as primárias da Flórida representem um termômetro para as eleições de meio de mandato. "Elas podem indicar onde está o ânimo dentro do Partido Democrata, ainda que não sejam, necessariamente, um bom indicador para o leito", disse. No dia seguinte à vitória, Angie Nixon escreveu, em seu perfil na rede social X, que os cidadãos da Flórida votaram pela mudança. "Ganhar a primária foi apenas o começo. Temos 76 dias para conquistar a Flórida para os democratas, ganhar esta cadeira no Senado e ajudar a retomar o controle da casa. Não podemos desperdiçar um dia sequer."
Além da vitória de Nixon, o deputado Jared Moskowitz não teve dificuldades para vencer o progressista da ala social-democrata Oliver Larkin em um distrito recém-reconfigurado que os republicanos esperam conquistar em novembro. Por sua vez, a também deputada Debbie Wasserman Schultz sobreviveu a uma primária muito acirrada em um distrito de forte maioria democrata.

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