
O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, classificou nesta quarta-feira (19/8) como “populista” e “eleitoreiro” o debate sobre o fim da escala de trabalho 6x1. Durante participação no 11º Fórum CNT de Debates – Edição Presidenciáveis, o ex-governador afirmou que a proposta, discutida às vésperas da eleição, tem como objetivo angariar votos. Segundo Caiado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva transfere ao Congresso a responsabilidade fiscal e política pela medida. “Tome agora que o filho é teu”, afirmou em entrevista coletiva, ao resumir a postura que atribui ao governo.
Questionado sobre seu posicionamento definitivo em relação ao fim da escala 6x1, Caiado evitou assumir uma posição imediata. Segundo ele, a discussão “não é a do candidato a presidente” e só estará sob sua responsabilidade caso assuma o governo. Para o presidenciável, o debate atual está contaminado por estratégias de sobrevivência parlamentar e por manobras do governo federal.
Durante discurso no evento, Caiado afirmou haver um “cansaço enorme” e uma “fadiga” do eleitor brasileiro em relação à polarização política. O ex-governador apresentou a chapa do PSD, que tem Gilberto Kassab como vice, como uma alternativa à disputa entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro.
Para Caiado, a concentração do debate político no confronto entre os dois polos tem deixado em segundo plano questões como transporte, desenvolvimento e competitividade.
O candidato também criticou a condução da política econômica e classificou como “populistas” medidas que, segundo ele, contribuem para o aumento da dívida pública e da taxa de juros. Caiado também afirmou que o governo tem recorrido a mecanismos excepcionais, como créditos extraordinários e medidas provisórias, para atender a demandas que classificou como eleitorais, em vez de utilizá-los exclusivamente em situações de emergência.
O ex-governador ainda acusou o governo federal de recorrer a conflitos externos, incluindo divergências com os Estados Unidos e o Paraguai, para desviar a atenção dos problemas econômicos internos. Para Caiado, o debate político deveria se concentrar em questões nacionais, como transporte e competitividade, em vez de incorporar conflitos ideológicos externos.
“Vamos trazer o assunto dos problemas que nós temos”, afirmou. À imprensa, Caiado criticou ainda a adoção de regras de reciprocidade contra os Estados Unidos e classificou a estratégia como inviável. “Para com essas coisas. Você não tem condição”, declarou.

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