
Reportagens publicadas pelo jornal israelense Haaretz, nesta terça-feira (8/9), abalaram a imagem do primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu dentro do próprio país. As informações divulgadas apontam que ele foi alertado sobre os planos do grupo palestino Hamas pelo presidente dos Emirados Árabes Unidos dias antes dos ataques de 7 de outubro de 2023.
O relatório faz parte da prévia do livro Reféns: 843 dias de abandono, escrito pelos jornalistas Shlomi Eldar e Ruti Yaval, do Haaretz. De acordo com a investigação, o Sheik Mohammad bin Zayed ligou para Netanyahu dez dias antes dos ataques do Hamas para alertar que o grupo estava organizando uma operação sem precedentes.
O gabinete de Netanyahu negou veementemente as alegações do Haaretz e afirmou que a reportagem é “uma mentira absoluta”. Já o Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos afirmou que não comentará o assunto, mas não negou a ligação entre os dois líderes.
Os jornalistas apontam que o líder da resistência palestina em Gaza Yahya Sinwar, morto em 2024, transmitiu uma mensagem aos Emirados Árabes Unidos em setembro de 2023 alertando sobre um iminente “terremoto” na região.
No entanto, mesmo diante dos alertas, Netanyahu teria reagido com “relativa calma” e garantido que Israel estava preparado para qualquer cenário, segundo o jornal. Em 2025, o jornal israelense Yedioth Ahronoth já havia noticiado que oficiais egípcios também emitiram alertas à Israel nos dias anteriores ao ataque.
Os ataques deixaram mais de 1.200 mortos em Israel e resultaram na crise dos reféns raptados pelo Hamas. Três anos após a ofensiva, a Organização das Nações Unidas (ONU) considera as ações israelenses de retaliação em Gaza como um genocídio que já destruiu a região, deixando mais de 73 milhões de palestinos mortos e mergulhando o Oriente Médio em um novo cenário de conflitos.
Reações internas
A menos de dois meses para as eleições em Israel, as alegações inflamaram reações de partidos da oposição, que exigiram uma investigação sobre a conduta do líder supremacista.
“O público israelense tem o direito de saber: o que Netanyahu sabia, quando soube, por que não informou o aparato de segurança e por que não agiu para proteger os civis israelenses?”, diz um comunicado divulgado pelos líderes da oposição israelense.
O ex-comandante militar Gadi Eisenkot, rival político do primeiro-ministro, classificou como “patéticas” as justificativas apresentadas por Netanyahu para se esquivar das acusações de falhas na segurança durante os ataques de 7 de outubro. O líder israelense chegou a afirmar que não foi acordado à tempo no dia da ofensiva do Hamas.
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O líder do partido Democrata de Israel, Yair Golan, foi às redes sociais para se dirigir ao primeiro-ministro. "Você sabia, você ignorou, você falhou, a culpa é sua”, publicou.
Desde os ataques, Netanyahu enfrenta acusações de negligência pelos familiares das vítimas em Israel. Dos 251 reféns capturados pelo Hamas na ofensiva, 85 foram mortos, inclusive por fogo amigo das forças israelenses em Gaza.
Fora de Israel, o premiê é alvo de um mandato de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra e crimes contra a humanidade relacionados ao genocídio na Palestina.
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