Estados Unidos

Donald Trump associa ataques de 11/9 à campanha militar no Irã

Durante cerimônia no Pentágono, em alusão ao 25º aniversário dos atentados, presidente republicano classifica Teerã de "maior patrocinador do terrorismo no mundo" e afirma que só existe a possibilidade militar de vitória no Oriente Médio

Donald Trump discursa no Pentágono:
Donald Trump discursa no Pentágono: "Nós saudamos cada membro do Exército dos EUA que serviram na 'guerra ao terror'" - (crédito: Saul Loeb/AFP)

Em pronunciamento no Pentágono, durante a cerimônia no 25º aniversário dos atentados de 11 de setembro de 2001, o presidente dos EUA, Donald Trump, utilizou o maior ataque terrorista da história para justificar a guerra contra o Irã, que completa hoje 196 dias. "Nós saudamos cada militar dos EUA que serviu na 'guerra ao terror'. Saudamos os militares que estão trabalhando, neste momento, para garantir que o maior patrocinador do terrorismo no mundo, a República Islâmica do Irã, jamais tenha uma arma nuclear", declarou Trump, ao lado de seu secretário da Defesa, Pete Hegseth.

Há um quarto de século, um comando de 19 terroristas da rede Al-Qaeda sequestrou quatro aviões comerciais, lançando dois deles contra as Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York, e o outro contra o Pentágono, em Washington. Uma quarta aeronave caiu em um campo na Pensilvânia, depois que passageiros lutaram contra os extremistas e tentaram tomar controle da cabine. 

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Ao citar os 2.977 mortos no atentado, o presidente republicano avisou: "Jamais, em hipótese alguma, esqueceremos". "É por isso que lutamos hoje. Não temos escolha. Só existe a vitória. Lutamos com garra. Lutamos para vencer", disse. Hegseth assegurou que a batalha contra o jihadismo continua agora com o Irã. Trump não visitou o Marco Zero, o local onde ficavam as torres do World Trade Center, em Nova York. Ele esteve representado pelo vice J.D. Vance. Em Manhattan, o evento de tributo às vítimas dos atentados de 11 de setembro reuniu os ex-presidentes Barack Obama, responsável pela operação que matou Osama bin Laden, em 2011; George W. Bush, que governava o país à época dos ataques; e Bill Clinton. O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, 34 anos, integrante da ala esquerda do Partido Democrata e o primeiro administrador da cidade a prestar juramento sobre o Alcorão, esteve ao lado do trio de ex-mandatários. 

Uma grande multidão se reuniu no local para a tradicional cerimônia solene anual, que reconstituiu os acontecimentos daquele dia, minuto a minuto, e terminou pouco antes das 13h locais. Os parentes das vítimas começaram a ler a longa lista de nomes dos falecidos em meio a uma forte vigilância policial. "Todo ano é um período muito difícil para nós, e este ano ainda mais porque chegamos ao marco dos 25 anos", declarou à agência France-Presse John Fila, um bombeiro que acompanhava, a algumas centenas de metros, outra cerimônia em Manhattan.

Pouco antes da cerimônia em Nova York, Obama publicou uma mensagem na rede social X sobre a data. "Se você era jovem em 2001, ou nem havia nascido, pode ser difícil imaginar como foi vivenciar o 11 de setembro. O choque daquela manhã linda e sem nuvens. A dor profunda das famílias cujos entes queridos foram levados com tamanha rapidez e crueldade. A constatação de que as forças da maldade e da violência estavam mais próximas — e o futuro, menos certo — do que imaginávamos", escreveu. "Mas, nos dias que se seguiram, sentimos também algo mais. Orgulho das equipes de resgate que correram para o local e dos passageiros que invadiram a cabine de comando. Admiração pelos homens e mulheres que deixaram para trás vidas de conforto para servir ao país. A firme convicção de que nada quebraria a vontade de uns Estados Unidos da América verdadeiramente unidos. (...) Esperamos que os americanos, onde quer que estejam, se lembrem da verdadeira lição do 11 de Setembro: a de que podemos superar até mesmo os nossos dias mais sombrios, desde que avancemos como uma só nação e um só povo." 

Al-Qaeda

Segundo o SITE Intelligence Group, organização especializada em vigilância de páginas islamistas, a Al-Qaeda publicou imagens de Bin Laden e de seu filho Hamza, por ocasião do aniversário. Bin Laden foi eliminados pelos SEALs, a força de elite da Marinha americana, durante uma operação na cidade paquistanesa de Abbottabad, em 2 de maio de 2011. Hamza morreu oito anos depois. 

Ontem, a Agência Central de Inteligência (CIA) retirou o sigilo de mais de 70 relatórios entregues a presidentes sobre a rede Al Qaeda e sobre Bin Laden. A decisão dá "uma transparência sem precedentes sobre a informação de inteligência mais sensível dos Estados Unidos em relação aos anos anteriores e ao dia posterior a um dos momentos mais obscuros da nossa história", afirmou a CIA em um comunicado. "Esses informes traçam a evolução da compreensão que os analistas da CIA tiveram sobre a Al Qaeda e os esforços para destacar e advertir sobre os planos de ataque de Osama bin Laden, apesar de contar com informação escassa, vaga e imperfeita", destacou a agência.

 

  • Garoto diante de memorial aos mortos nos ataques terroristas de 2001: flores e nomes inscritos no mármore
    Garoto diante de memorial aos mortos nos ataques terroristas de 2001: flores e nomes inscritos no mármore Foto: David Dee Delgado/AFP
  • Instalação artística com feixes de laser simula as 
Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York
    Instalação artística com feixes de laser simula as Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York Foto: Ryan Murphy/AFP
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postado em 12/09/2026 05:00
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