PENA DE MORTE

Tennessee pode ter 1ª execução de mulher em dois séculos

Condenada em 1995 por assassinato, ela tenta recurso na Suprema Corte após governador negar clemência ao caso

Se executada, Christa Pike será a primeira mulher submetida à pena de morte no estado do Tennessee desde o ano de 1820 -  (crédito: Reprodução/Departamento Penitenciário do Tennessee)
Se executada, Christa Pike será a primeira mulher submetida à pena de morte no estado do Tennessee desde o ano de 1820 - (crédito: Reprodução/Departamento Penitenciário do Tennessee)

Christa Pike, de 50 anos, poderá se tornar nesta quarta-feira (30/9) a primeira mulher executada no Tennessee em dois séculos. Condenada à morte por um crime cometido aos 18 anos, ela aguarda a aplicação da pena enquanto seus advogados tentam suspender a execução na Suprema Corte.

Pike foi condenada pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, ocorrido em 1995. As duas estudavam no Knoxville Job Corps. Segundo a acusação, Pike acreditava que a jovem representava uma ameaça ao relacionamento que mantinha com Tadaryl Shipp, então seu namorado, e participou com ele de uma emboscada em uma área isolada.

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A vítima foi torturada antes de morrer, e um símbolo satânico foi gravado em seu corpo. O caso chamou atenção tanto pela violência quanto pela idade dos envolvidos. Pike não contesta a autoria do crime, mas sua defesa sustenta que a pena capital é desproporcional diante das circunstâncias pessoais e psicológicas que marcaram sua adolescência.

Na segunda-feira (28/9), o governador do Tennessee, Bill Lee, informou que não concederia clemência. Com isso, a tentativa de impedir a execução passou a depender dos recursos apresentados pelos advogados à Suprema Corte.

Infância marcada por abusos

Um dos principais argumentos da defesa é que informações relevantes sobre a trajetória de Pike não foram apresentadas ao júri na fase em que a pena foi definida.

O defensor público federal Stephen Ferrell afirma que ela sofreu abuso sexual durante a infância e foi estuprada aos 11 e aos 17 anos. Segundo ele, os advogados responsáveis pelo caso à época também não destacaram de forma adequada a idade de Pike como elemento a ser considerado na sentença.

Anos depois, ela recebeu diagnósticos de transtorno bipolar e transtorno de estresse pós-traumático. Pike declarou à polícia que pretendia inicialmente apenas brigar com Slemmer, mas que a situação terminou em um ataque fatal.

No pedido de clemência, seus advogados argumentaram que a combinação entre doença mental não tratada e histórico de violência teria comprometido sua capacidade de interromper o ataque.

A defesa também recorre ao conhecimento acumulado nas últimas décadas sobre o desenvolvimento do cérebro na adolescência. Ferrell chama atenção para o contraste entre a pena de Pike e a de Shipp, que tinha 17 anos no momento do crime e foi condenado à prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional. O benefício foi negado a ele no ano passado.

Um terceiro adolescente envolvido admitiu participação como cúmplice e acabou recebendo liberdade condicional.

Segundo Ferrell, outros réus que tinham 18 anos ao cometer crimes e chegaram a ser condenados à morte no Tennessee tiveram posteriormente as penas reduzidas.

Debate sobre idade e pena de morte

Dados do Centro de Informações sobre a Pena de Morte indicam que 275 pessoas foram executadas nos Estados Unidos, na era moderna da pena capital, por crimes cometidos aos 18, 19 ou 20 anos. O próprio centro aponta, porém, que condenações à morte nessa faixa etária se tornaram cada vez menos frequentes.

Para Robin M. Maher, diretora executiva da organização, as informações hoje disponíveis sobre a história de Pike poderiam influenciar de forma diferente um júri.

“Se Christa Pike fosse julgada hoje, não acredito que um júri que soubesse dos abusos sexuais e da negligência que ela sofreu na infância a condenaria à morte”

Do outro lado, a mãe de Colleen Slemmer defende que a sentença seja cumprida. Ela afirma ter esperado por décadas para ver a execução determinada pela Justiça.

Execuções de mulheres são raras

Caso a pena seja aplicada, Pike será a primeira mulher executada no Tennessee desde 1820, segundo Maher.

As execuções de mulheres também representam uma parcela pequena do total registrado nos Estados Unidos. Desde 1976, 18 mulheres foram executadas no país, o equivalente a cerca de 1% das execuções no período, conforme o Centro de Informações sobre a Pena de Morte.

Entre os casos mais recentes está o de Amber McLaughlin, executada pelo Missouri em 2023 por um homicídio cometido em 2003. A execução foi apontada como a primeira de uma mulher transgênero nos Estados Unidos.

Em 2021, o governo federal executou Lisa Montgomery, primeira mulher submetida à pena capital em âmbito federal em quase sete décadas. Antes disso, em 2015, uma mulher também havia sido executada no estado da Geórgia.

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postado em 29/09/2026 14:33
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