
Três semanas após o acordo de segurança firmado entre a Groenlândia, Dinamarca e os Estados Unidos, o presidente do país americano, Donald Trump, publicou na rede social Truth Social, nesta quarta-feira (14/10), que “uma exploração em grande escala de petróleo, gás e minerais está prestes a começar” no território dinamarquês autônomo. Horas depois da publicação, o Ministério das Relações Exteriores da Dinamarca afirmou que os EUA precisam respeitar as leis da ilha.
Na postagem, o republicano se refere à ilha como “nossa nova e bela Groenlândia” e fala sobre a abundância de petróleo na região, que, segundo ele, é fundamental “para fins de segurança”. Questionado pela CNN, o vice-ministro de Mineração da Groenlândia, Jørgen Hammeken-Holm, reconheceu que há explorações em andamento, mas que a ilha está “muito longe de uma exploração em larga escala”.
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“Estamos muito longe de uma exploração em larga escala”, disse Hammeken-Holm. “Há várias atividades de exploração menores em andamento, mas elas podem levar anos até se tornarem operacionais.” Contou o vice-ministro à CNN.
Já o governo da Dinamarca disse, em pronunciamento escrito para a emissora estatal TV2, que o país americano não possui direitos preferenciais para extrair as matérias-primas da Groenlândia e deve respeitar a legislação do país.
“Se os Estados Unidos quiserem explorar o subsolo da Groenlândia em busca de petróleo, gás e minerais, terão que fazê-lo de acordo com a legislação pertinente da Groenlândia”, declarou o governo dinamarquês.
Uma paixão antiga
A Groenlândia é uma fixação do presidente norte americano desde o primeiro mandato (2016 - 2020), quando já defendia que os EUA deveriam comprar ou tomar posse da ilha, e ganhou força no segundo mandato, o que gerou diversos protestos dos groenlandeses. O interesse norte-americano na ilha vem pela localização estratégica e a riqueza em minerais, petróleo e terras raras.
O acordo de segurança entre Groenlândia, Dinamarca e EUA
Em setembro deste ano, o país liderado por Trump, a Dinamarca e a Groenlândia, firmaram um acordo que permite os Estados Unidos estabelecerem duas bases militares - uma no Sul, em Narsarsuaq, e outra no leste da ilha, em Mestersvig - e expandir a base espacial de Pituffik, até então, a única base ativa na ilha.
Além de permitir que aeronaves e embarcações americanas tenham o direito de sobrevoo, pouso e operações submarinas em toda a Groenlândia, incluíndo as águas territoriais (rios e lagos).
De acordo com o pacto, os EUA devem respeitar a sociedade e o modo de vida dos groenlandeses, e proíbe que investidores fora dos estados membros da Otan, parceiros da aliança ou da União Europeia tenham controle ou influência sobre setores sensíveis da ilha.
*Estagiário sob supervisão de Rafaela Soares
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