
O mexicano Lorenzo Salgado Araujo foi morto aos 52 anos por um agente de imigração no último mês de julho no estado americano do Texas. Agora, às vésperas das eleições de meio de mandato nos EUA, a morte de Lorenzo tornou-se ponto de mobilização contra a política migratória de Donald Trump e mobiliza o voto contra o republicano.
Nas eleições, realizadas na próxima terça-feira (3/11) por todo o país, serão renovadas as 435 cadeiras da Câmara dos Deputados e 35 do Senado. A votação, no meio do mandato presidencial, poderá tirar do partido de Trump o controle de uma ou das duas Casas, ampliando a fiscalização sobre Trump, inclusive sobre o orçamento e os procedimentos das agências de imigração.
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O comissário democrata do condado de Harris, Adrian Garcia, disse ao Washington Post que mais latinos estreantes ou pouco frequentes vêm votando antecipadamente na região. “Esta eleição é sobre mostrar que uma comunidade pode erguer sua voz e provocar mudanças”, afirmou Garcia ao jornal americano.
O caso
Em 7 de julho, Lorenzo dirigia uma van com três colegas por Magnolia Park, bairro de forte presença mexicana em Houston. Ele não era o alvo original da operação, mas foi abordado por agentes federais. Um deles, do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), atirou contra a van e o matou.
Lorenzo vivia nos EUA havia quase 35 anos, era pai de três filhos e trabalhava na construção civil. Familiares disseram à Associated Press (AP) que ele não tinha condenações criminais e tentava obter autorização de trabalho. “Ele não merecia morrer”, afirmou o filho Ronaldo em entrevista coletiva. Segundo a família, a vítima estava tentando regularizar a situação migratória justamente para continuar trabalhando no país onde criou os filhos.
O Departamento de Segurança Interna (DHS) alega legítima defesa: segundo o órgão, Lorenzo ignorou ordens de parada e tentou atingir policiais com a van. Passageiros e advogados da família negam. Ao Texas Tribune, os três ocupantes afirmaram que não havia agentes à frente do veículo e que os tiros partiram da lateral. O episódio segue sob investigação.
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Políticas anti-imigratórias
Desde que voltou à Casa Branca, em janeiro de 2025, Trump ampliou operações do ICE, intensificou detenções no interior do país e prometeu um milhão de deportações por ano. O governo sustenta que a ofensiva é necessária para controlar a fronteira, aplicar a lei e expulsar pessoas sem autorização de residência.
Dados do DHS apontam 43,9 mil prisões pelo ICE em junho, 50,2 mil em julho e 50,9 mil em agosto. O Migration Policy Institute estimou em outubro um ritmo anualizado de cerca de 660 mil deportações no ano fiscal de 2026, abaixo da meta de Trump. O instituto calcula cerca de 980 mil deportações nos primeiros 18 meses do segundo mandato, somando remoções e retornos.
A estratégia sofreu ajustes após operações e mortes que provocaram protestos. Em janeiro, os americanos Renee Good e Alex Pretti foram mortos por agentes federais em Minneapolis. A repercussão também se somou a críticas sobre a deportação de Kilmar Abrego Garcia, morador de Maryland, a El Salvador, apesar de uma ordem judicial contrária. Após o desgaste, Kristi Noem deixou o comando do DHS e foi substituída por Markwayne Mullin, que reduziu a exposição das operações.
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