ELEIÇÕES DE MEIO DE MANDATO

Democratas conquistam maioria no Senado e na Câmara e impõem derrota histórica a Trump

Partido de oposição ao presidente Donald Trump (Republicano) conquistou a maioria dos votos tanto no Senado quanto na Câmara

Donald Trump enfrentará um Congresso de opoisição pelos próximos anos de mandato -  (crédito: BRENDAN SMIALOWSKI / AFP)
Donald Trump enfrentará um Congresso de opoisição pelos próximos anos de mandato - (crédito: BRENDAN SMIALOWSKI / AFP)

Os Estados Unidos estão vivendo um momento histórico nesta quarta-feira (4/11) com o resultado parcial das eleições de meio mandato. O partido Democratra, que opõe o presidente Donald Trump (Republicano), conquistou a maioria dos votos tanto no Senado quanto na Câmara.

Mais de 60 milhões de cédulas foram contabilizadas até o momento. As informações foram divulgadas pelo 'Election Lab' da Universidade da Flórida, que ainda não contabilizou o número total de votos. O número expressivo na antecipação de votos já é considerado recorde no país, onde os eleitores não são obrigados a votar.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

Veja o resultado parcial:

Senado

  • Democratas: 54
  • Republicanos: 44
  • Aguardando resultado: 2

Câmara

  • Democratas: 228
  • Republicanos: 139
  • Aguardando resultado: 68

Segundo projeções divulgadas pela Agence France-Presse (AFP), ao que tudo indica alguns recordes além dos números também já podem ser observados nas eleições de meio mandato dos EUA, como a vitória da democrata Keisha Bottoms, eleita governadora do estado da Geórgia, se tornando posteriormente a primeira mulher negra a ocupar esse cargo no país.

Outro marco histórico nessas eleições americanas foi a vitória do democrata Xavier Becerra, que derrotou o candidato de Trump, o republicano Steve Hilton, e conquistou o governo da Califórnia, se tornando o primeiro latino eleito governador do estado. Becerra é filho de imigrantes mexicanos. Também foi eleito para o Senado o democrata Chris Pappas, primeiro homem abertamente gay no Senado dos Estados Unidos.

Vitória democrata muda equilíbrio de poder em Washington

A conquista do Congresso pelo Partido Democrata representa um obstáculo para Donald Trump na segunda metade de seu mandato. Com o controle das duas casas legislativas a partir de janeiro, quando os novos parlamentares tomarem posse, a oposição terá condições de interferir diretamente nas prioridades do governo, nas decisões sobre o orçamento federal e na aprovação de indicações para cargos estratégicos.

A mudança é especialmente significativa no Senado, onde os republicanos detinham a maioria e os democratas precisavam conquistar quatro cadeiras adicionais. A Casa, composta por 100 senadores, teve 35 assentos em disputa neste ano. Já na Câmara dos Representantes, os 435 integrantes são renovados a cada dois anos.

Entre as primeiras medidas anunciadas pela oposição está a revisão de políticas adotadas por Trump desde seu retorno à Casa Branca, em 2025. O líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, pretende concentrar esforços na redução do custo de vida, incluindo a reversão dos cortes no Medicaid, programa de assistência médica destinado à população de baixa renda.

Jeffries também defende a suspensão das tarifas comerciais impostas pelo presidente sem autorização legislativa e o fim da guerra contra o Irã, que eleva o custo dos combustíveis. Para o democrata, cabe ao Congresso exercer sua prerrogativa constitucional sobre declarações de guerra. A intenção é colocar essas prioridades em discussão já nas primeiras 100 horas da nova legislatura.

Outro ponto de atrito deverá ser a fiscalização do Executivo. A nova maioria poderá instalar comissões de investigação, convocar autoridades e exigir documentos relacionados a suspeitas de irregularidades envolvendo integrantes da administração republicana e pessoas próximas ao presidente.

A fiscalização parlamentar poderá atingir autoridades como o secretário de Defesa, Pete Hegseth, o secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, e o secretário do Tesouro, Scott Bessent. Segundo Ross Baker, professor de Ciência Política da Universidade Rutgers, o novo cenário tende a ampliar a pressão sobre membros do primeiro escalão.

Embora as investigações possam resultar em processos de impeachment, a destituição de Trump permanece uma possibilidade remota. O presidente já enfrentou duas tentativas durante seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021, e os líderes democratas demonstram cautela diante de uma terceira iniciativa. Além da aprovação na Câmara, uma eventual condenação dependeria do apoio de dois terços dos senadores presentes.

O controle do Senado também permitirá à oposição barrar nomeações presidenciais para cargos importantes do governo e do Judiciário federal. Essa prerrogativa poderá ser decisiva caso surja uma vaga na Suprema Corte, uma vez que a indicação de um novo magistrado depende da aprovação dos senadores.

Apesar das limitações impostas pela derrota eleitoral, Trump continuará dispondo de instrumentos para sustentar sua agenda. O presidente poderá vetar projetos aprovados pelo Congresso, e a derrubada de um veto exige o apoio de dois terços dos integrantes de ambas as casas, margem que os democratas não possuem.

Diante da possibilidade de um Legislativo controlado pela oposição, o republicano já havia manifestado disposição para assumir o papel de "Senhor Veto". Ele também poderá continuar recorrendo a decretos e exercendo atribuições próprias do Executivo, especialmente na área migratória, uma das mais controversas de seu governo.

Participação eleitoral e desgaste de Trump

O comparecimento às urnas também contribuiu para o desempenho democrata. Antes mesmo da votação presencial de terça-feira, mais de 61,7 milhões de cédulas haviam sido enviadas antecipadamente, de acordo com o Election Lab, da Universidade da Flórida.

Nos Estados Unidos, os eleitores podem votar presencialmente ou antecipar sua participação pelo correio. Essa segunda modalidade costuma ser mais utilizada pelos democratas, que foram beneficiados pela mobilização de segmentos importantes de seu eleitorado.

Dados divulgados pela Rádio Pública Nacional apontaram uma participação expressiva de jovens e eleitores afro-americanos, grupos que tradicionalmente demonstram maior proximidade com o Partido Democrata.

Matéria em atualização

  • Google Discover Icon
CA
postado em 04/11/2026 08:31 / atualizado em 04/11/2026 09:20
x