MÚSICA

Aquela voz tamanha

Assisti a quase todos os shows de Gal, desde o Fatal, lançado em Em Estratosférico, fiquei impressionado com a extensão vocal ao ouvi-la em Força estranha

Na madrugada de sábado para domingo, entre atento e curioso, me detive sobre o show comemorativo dos 80 anos de Gal Costa, a eterna diva da música popular brasileira, produzido pela afiliada baiana da TV Brasil, gravado em 26 de setembro último, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, localizado no Campo Grande, na região central de Salvador.

Parte da série Cena Musical, o especial inédito Gal 80 reuniu no repertório canções consagradas do repertório de Gal Costa, como Aquarela do Brasil (Ary Barroso), Baby (Caetano Veloso), Barato total (João Donato), Canta Brasil (Alcir Pires Vermelho e David Nasser), Folhetim (Chico Buarque), Meu nome é Gal (Roberto e Erasmo Carlos). Senti falta de Negro amor, a versão de Caetano Veloso e Péricles Cavalcanti para a belíssima Baby Blue, de Bob Dylan, na qual ela se supera.

Esses clássicos da MPB ganharam novas leituras feitas por um elenco variado de intérpretes que incluiu Aiace, Ângela Veloso, Clariana, Cláudia Cunha, Emanuelle Araújo, Lazzo Matumbi, Luiza Brito, Márcia Short, Simoninha e Walerie Gondim.

A trajetória de Gal teve início em julho de 1964, com o musical Nós por exemplo, ao lado de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Tom Zé, Alcyvando Luz e Djalma Correia, com o qual, cantando bossa nova, inauguraram o Teatro Vila Velha, próximo do Campo Grande, em Salvador.

O Brasil tomou conhecimento da futura estrela da MPB no Festival da TV Record de 1968. No período mais obscuro da ditadura militar, numa atitude roqueira, ela soltou a voz na interpretação de Divino maravilhoso. Num dos versos, ela mandava ver: "É preciso estar atento e forte/ Não temos tempo de temer a morte". A canção havia sido composta por Caetano Veloso e Gilberto Gil, aos quais havia se juntado no Tropicália, movimento do qual viria a ser a musa.

Nos 60 anos de carreira, a estrela lançou mais de 40 discos, entre LPs e CDs. O último, A Pele do futuro é de 2018; e o de maior vendagem, o Fatal — Gal a todo vapor, que traz o registro do icônico show homônimo apresentado no Teatro Tereza Rachel, em Copacabana, no Rio de Janeiro, lançado em 1972.

Assisti a quase todos os shows de Gal, desde o citado Fatal. Em Brasília, a aplaudi no Índia (Teatro da Escola Parque); Gal tropical (Ginásio Cláudio Coutinho); O sorriso do gato de Alice (Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional) ); o que homenageou Tom Jobim, no espaço de eventos do Parque da Cidade; e o Estratosférico, no auditório master do Centro de Convenções Ulysses Guimarães

Neste último, da primeira fila, fiquei impressionado com a extensão vocal daquela grande intérprete ao ouvi-la em Força estranha (Caetano Veloso), que, em um dos versos, diz: "Por isso uma força estranha me leva a cantar/ Por isso é que canto, não posso parar/ Por isso essa voz tamanha..."

 


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