
José Carlos Cirilo — diretor-geral do Departamento Nacional do Sesc
O Brasil registrou, em 2025, um recorde muito preocupante: o maior número de afastamentos do trabalho por transtornos mentais em uma década. Segundo dados do Ministério da Previdência Social, foram mais de meio milhão de licenças concedidas a trabalhadores acometidos por problemas como depressão e ansiedade. Os números não deixam dúvidas de que vivemos hoje uma crise de saúde mental que impacta empresas, funcionários e suas famílias.
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O bem-estar do trabalhador é um direito garantido pela Constituição, que determina que o empregador ofereça um ambiente de trabalho seguro. Mas essa segurança por muito tempo foi vista apenas como prevenção a acidentes de trabalho e doenças relacionadas a lesões por esforço repetitivo, por exemplo. Não se incluía nesse rol a saúde mental. As consequências de uma rotina estressante, o acúmulo de trabalho ou a falta de um repouso adequado só eram contabilizados como questões de saúde quando seus reflexos atingiam o corpo físico.
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O estresse ocupacional afeta não apenas o desempenho do funcionário, como também tem reflexos na produtividade de toda a equipe. Gera desmotivação, sobrecarga de trabalho, deterioração do clima organizacional, entre outros prejuízos, inclusive financeiros. Investir na saúde física e mental dos trabalhadores não só significa um time mais parceiro e engajado, como traz importantes ganhos para a empresa, como melhoria na qualidade dos serviços e uma imagem positiva diante dos clientes e fornecedores e das próprias equipes, ampliando a atratividade dos melhores profissionais do mercado.
Mas as ações relacionadas ao bem-estar corporativo não podem ser vistas como um benefício pontual. Precisam ser sistemáticas e fazer parte de um programa voltado à saúde integral dos funcionários. As empresas do setor de comércio de bens, serviços e turismo encontram no Sesc um parceiro estratégico para a promoção do bem-estar de seus colaboradores. Criada há oito décadas por iniciativa do empresariado, a instituição desenvolve uma atuação ampla e contínua voltada à saúde integral do trabalhador, que considera de forma indissociável os aspectos físicos, mentais e sociais da vida profissional.
Nesse contexto, o Sesc Empresas atua como uma frente que aproxima ainda mais essa relação, articulando ações estruturadas diretamente com as empresas e seus trabalhadores. Com ações em todo o país, a iniciativa alcançou diretamente 197 empresas, beneficiando mais de 53 mil trabalhadores. Essa atuação se soma a um ecossistema mais amplo de educação, cultura, lazer e assistência que contribui para o equilíbrio físico e emocional das pessoas. Hoje, mais de 10,5 milhões de pessoas têm a Credencial Plena e usufruem das atividades da instituição, reforçando o seu papel como aliada das empresas na construção de ambientes de trabalho mais saudáveis, produtivos e sustentáveis.
Em maio, entra em vigor a atualização da Norma Regulamentadora nº1 (NR-1), incluindo no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais os fatores de risco psicossociais. A norma deixa claro que não apenas os riscos físicos, químicos ou biológicos precisam ser gerenciados, mas problemas emocionais e organizacionais também fazem parte da responsabilidade do empregador.
Essa mudança representa um grande avanço para as relações trabalhistas, porque o olhar mais apurado para a saúde mental do corpo funcional não só diminuirá os afastamentos do trabalho, como proporcionará um vínculo mais forte entre funcionários e empregadores.
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O trabalho consolidado do Sesc como promotor de qualidade de vida e bem-estar social, presente em todo o país, é um aliado e pode servir como inspiração para essa nova fase do cuidado corporativo porque, muito além de uma exigência legal, é um investimento real na saúde integral dos trabalhadores, é uma escolha inteligente e sustentável, que gera impactos positivos para toda a sociedade.
As atividades integradas desenvolvidas pelo Sesc e voltadas a educação, saúde, cultura, lazer e assistência atuam de forma preventiva e podem contribuir para a redução do estresse, da ansiedade e do sedentarismo, que são fatores frequentemente associados a doenças mentais. Os programas culturais e espaços de convivência fortalecem vínculos sociais, ampliam repertórios simbólicos e criam oportunidades de expressão, elementos fundamentais para o equilíbrio emocional.
Uma abordagem integrada reconhece que bem-estar não se limita à ausência de doença, mas envolve outras condições que representam uma real qualidade de vida. Esse conjunto de atividades também contribui para a construção de rotinas mais equilibradas e de uma relação mais saudável com o trabalho.
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