
Já dá para sentir o sopro no cangote, como se diz no meu Nordeste. O ano voa e as eleições estão logo ali. Se as últimas duas campanhas eleitorais nos mostraram o poder das redes, das mídias sociais, do WhatsApp, além do fenômeno das fake news, nesta teremos a avassaladora presença da inteligência artificial generativa, uma ferramenta incrível, mas também usada para propagar desinformação em alta escala. Estamos correndo riscos.
Somada à polarização política exacerbada e à exposição ao excesso de informação e a todos os ruídos que isso provoca, a campanha promete ser uma prova de resistência longa, estressante, barulhenta e perigosa. O cenário mundial não é dos melhores e essa energia reverbera, provocando medo e angústia. Aqui, parece que não conseguimos superar a última eleição e já chega a próxima, animada por escândalos político-econômicos e crise institucionais entre Poderes.
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O escândalo entre Banco Master e BRB desponta como um dos temas mais sensíveis das eleições de 2026. A suspeita de fraude bilionária — cerca de R$ 12,2 bilhões — envolve compra de ativos deteriorados, indícios de corrupção e gestão temerária. A Polícia Federal investiga repasses irregulares, e o STF manteve as prisões, incluindo a do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. O caso eleva a tensão política e projeta desgaste direto sobre o grupo do ex-governador Ibaneis Rocha.
Cada um de nós terá que fazer um esforço tremendo para não cair em armadilhas. Debates infrutíferos, brigas familiares, afastamento de amigos, estresse no trabalho e muita desinformação podem levar a um quadro de ansiedade e adoecimento generalizado. Aliás, já está acontecendo. Ou você não está clamando por um minuto de paz, de silêncio, de sossego, sem cobranças e aflições, sem a sensação de que está sempre perdendo algo e ao mesmo tempo sem achar o que procura?
Não precisa ir muito longe para encontrar alguém tão exausto e perdido quanto você. O risco maior de tudo isso, já que estamos com a atenção tão comprometida, é ceder à desinformação. É entregar ao algoritmo todo o poder de te informar. Embarcar em mentiras nunca foi tão fácil. Buscar a verdade nunca foi tão desafiador. O certo e o errado nunca foram tão relativos. Os conceitos de moral e virtudes estão desenraizados dos valores humanos reais e apoiados em movimentos, religiões, influenciadores radicais.
O fato é que está tudo estranho demais, e esses tempos exigem compromissos éticos muito firmes que cada um deve assumir. Para mim, a busca pela verdade é o maior deles. Sem informação de qualidade e sem imprensa livre, não há democracia. E isso é algo que não podemos perder de forma alguma. O Correio promoverá um debate sobre o combate à desinformação em maio. Proteger a verdade, lutar contra a desinformação e abraçar valores humanos são missões coletivas na campanha eleitoral. Pense nisso.

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