» ALDO PAVIANI/Geógrafo e professor emérito da UnB
Estamos atravessando período de mudanças de tempo, que chegará às mudanças climáticas tendo um período maior e não se preverá as consequências do que ocorrerá em frente. Aqui e ali, há acontecimentos que se manifestam de modos diversos. Chuvas intensas no sudeste da Ásia; vendavais no Pacífico Sul; temperaturas baixas na América do Norte e América Central; frio intenso nos países nórdicos, e assim por diante. O desafio será voltar ao que era há alguns anos, tido como "normal". Alguém exclamou: "O clima está esquisito". De fato, não se trata desse fenômeno, mas de tempo. O clima é definido como um período muito maior, no mínimo 10 anos no percurso num país ou numa região.
O frio no Hemisfério Norte, em nossos dias, tem sido severo, causando preocupação na hora de se mover para o trabalho, para compras ou outras atividades que requerem a mobilidade extra residencial. Se a pessoa utilizar automóvel, poderá ficar retido no lamaçal existente nas ruas, obrigando o uso de pá mecânica para limpar a neve que se acumula nas vias utilizadas na mobilidade urbana. No caso de frio intenso, muitos são dispensados de ir ao trabalho e se adotam os afazeres residenciais de cada um, que é um modo de fazer muito usado na época de inverno congelante. Passado o inverno, volta-se para a vida e à mobilidade costumeira e ao que se denomina "vida normal".
Mesmo não se possuindo "bola de cristal" para antecipar certos acontecimentos, a vida do dia a dia é seguir o que sempre é usual a realizar, faça frio ou calor. É o que se passou a denominar "vida costumeira", em que os trabalhadores executam suas atividades rotineiras, diariamente, seja em escritórios, seja em outro lugar. Se o trabalhador for ao trabalho o período normal em qualquer dia do mês, não deverá encontrar dificuldades para que a mobilidade seja realizada, a menos que seja anunciada tempestade pela frente, que poderá dificultar quem anda a pé.
No Brasil, as tempestades raramente ocasionam grandes prejuízos com efeitos e danos materiais. Quando ocorrem são pontuais, e em certos pontos da grande área do Brasil. No Norte ou no Sul, derrubam árvores e destelham casas. Mas não surgem devastadoras como ocorre em países do Hemisfério Norte, particularmente nos Estados Unidos e no Canadá, ambos atingidos ao longo do ano por fortes temporais e ventos com mais e 100km por hora. Por isso, casas e empresas são construídas com estruturas capazes de suportar períodos bem adversos. Não é o caso do Distrito Federal (DF), onde foi construída Brasília, formada pelo Plano Piloto, o centro histórico e os núcleos urbanos esparsos no território do DF, as Regiões Administrativas (RAs). O território do DF, de 5.800 km², é um dos menores se for comparado às demais unidades da Federação brasileira.
Em certos pontos do território sul-americano haverá tempestades e chuva de granizo. Nesse caso, algumas culturas agrícolas sofrerão com a chamada "chuva de pedras". Culturas com folhas, como o cultivo de milho, independentemente do estado de crescimento, sofrem muito com a chuva de granizo, pois as "pedras" danificam muito as folhas desse cultivo, assim como de outras folhosas. Então, ao plantar a semente de milho, o agricultor tem que se munir de informações sobre o tempo durante esse tipo de cultivo. Poderá ocorrer seca; período chuvoso; período de chuvas normais, pois nenhuma previsão do que acontecerá conta com 100% de exatidão.
No Centro-Oeste brasileiro há relativa facilidade de prever o tempo, pois é normal haver um período de seis meses com chuvas (por vezes esparsas no território) e período de seis meses de estiagem, o que dificulta o plantio de alguns vegetais. Os agricultores conhecem esse sistema pluviométrico, pois raramente é muito irregular. Nesse caso, o solo é usado de acordo com as necessidades de água do que for plantado. Quando houver grandes plantações, o agricultor pode utilizar o saber de especialista, como o de engenheiro agrônomo, que tem conhecimento científico do que um grande agricultor precisa saber antes de pôr sementes no solo. Hoje em dia, não se fazem cultivos sem observar o lado científico-técnico necessário que certas plantações requerem no êxito em suas lavouras. Sempre se tem vantagem em cultivar o chão com apoio de especialistas, que dão o rumo certo a todos os cultivos, pois contam com o saber técnico-científico nessa área e terão conhecimento do que acontecerá durante o ano-agrícola.
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