ARTIGO

Proteção acessível, e gratuita

Vacinas são seguras e eficazes. Aqui no Brasil, há doses contra uma gama de doenças. Proteção acessível a todos, e gratuitamente

País da vacinação era um título que o Brasil ostentava com orgulho, um exemplo para o mundo. Graças ao Programa Nacional de Imunizações e à adesão da população, conseguimos erradicar doenças graves e mitigar efeitos perigosos de outras. Por uma série de fatores, porém, baixamos a guarda. A percepção errônea de que algumas enfermidades não oferecem mais perigo; a falta de confiança nos imunizantes, motivada por informações falsas; a pandemia da covid-19 e a ação de grupos antivacina nos levaram a andar para trás. O dano foi exacerbado com os quatro anos de um governo negacionista e a consequente escassez de campanhas de comunicação — outrora massivas —, alertando sobre a importância dos imunizantes. O retrocesso nos fez abrir a porta para a reintrodução de doenças que estavam eliminadas ou controladas por aqui.

Agora, sob uma gestão que reconhece o valor da ciência, o Brasil corre atrás de recuperar as altas coberturas vacinais. Há progressos. Para diversos tipos de imunizantes, especialmente os destinados ao público infantil, alcançamos ou estamos próximos do patamar preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Notamos, entretanto, que tem sido uma missão hercúlea combater as fake news e convencer as pessoas de se vacinarem e de levarem os filhos para receber a proteção.

Neste momento, por exemplo, estamos na reta final da Campanha Nacional de Vacinação contra a gripe para grupos prioritários — aqueles que têm maior risco de desenvolver complicações, como crianças de 6 meses a 6 anos, gestantes e idosos, entre outros. A ação começou em março e termina no próximo dia 30 e, mesmo assim, quase 26 milhões de pessoas ainda não se imunizaram, de um universo de 80 milhões que se enquadram nos perfis.

Em 2025, houve cerca de 3.500 mortes por influenza, 70% de pessoas que pertenciam aos grupos prioritários. O perigo para este ano aumentou, porque o vírus começou a circular mais cedo, em março.

Boletim InfoGripe, da Fiocruz, apontou, na semana passada, alta dos casos de síndrome respiratória aguda grave, causada pelo vírus sincicial respiratório (VSR) e pela influenza. As  impactadas são, principalmente, crianças menores de 2 anos. Lembro aqui que grávidas, a partir da 28ª semana de gestação, podem se imunizar contra VSR, que protege o bebê contra bronquiolite, especialmente nos seis primeiros meses de vida.

O acesso às doses de proteção, contra diversos tipos de doenças, é um direito do público infantil. O Artigo 14, parágrafo 1º, do Estatuto da Criança e do Adolescente, enfatiza: "É obrigatória a vacinação das crianças nos casos recomendados pelas autoridades sanitárias". A Constituição, em seu artigo 227, também ressalta a prerrogativa de meninos e meninas à saúde, "com absoluta prioridade".

Se você é de grupo prioritário para a imunização contra a gripe, está com algum tipo de vacina em atraso ou tem crianças e adolescentes com doses pendentes, procure uma unidade de saúde para atualizar a caderneta. Caso tenha alguma dúvida a respeito de imunizantes, consulte o www.gov.br/saudecomciencia. Vacinas são seguras e eficazes. Evitam de 3,5 milhões a 5 milhões de mortes por ano no mundo, segundo a OMS. Aqui no Brasil, há doses contra uma gama de doenças. Proteção acessível a todos, e gratuitamente.

 

Mais Lidas