ARTIGO

Justa homenagem

O Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira chega à 33ª edição no próximo dia 10 e terá Cazuza como homenageado

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Um dos mais importantes eventos no âmbito da MPB, que coloca em relevância artistas de diversos segmentos da mais popular manifestação artística do país, o Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira chega à 33ª edição no próximo dia 10. Os pontos altos são a entrega de troféus e o espetáculo com apresentações solo, de duo, trio e grupos.

Patrocinado pelo Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, essa edição celebrará Agenor Miranda de Araújo Neto, que se notabilizou como Cazuza enquanto vocalista e compositor, inicialmente ao liderar a banda de pop rock carioca Barão Vermelho e posteriormente quando passou a desenvolver carreira solo.

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A escolha de Cazuza como homenageado foi aprovada, por unanimidade, pelo Conselho do Prêmio, formado por Gilberto Gil, Ney Matogrosso, Zélia Duncan, Karol Conká, Antônio Carlos Miguel e Lucinha Araújo — a mãe do homenageado —, além de Zé Maurício Machline, o idealizador da premiação.

Durante a celebração, vários cantores vão interpretar clássicos da obra do poeta do rock, que integram de forma destacada o universo do nosso cancioneiro, como Amor meu grande amor, Brasil, Beth Balanço, Codinome Beija-Flor, Exagerado, O tempo não pára e Preciso dizer que te amo. Não faltará, é claro, Pro dia nascer feliz, que ele cantou na abertura do histórico Rock in Rio, de 1985, celebrando a retomada da democracia, depois do sombrio período da ditadura militar.

Apresentada por Débora Bloch e Alice Wegmann, com direção geral de Giovanna Machline e Zé Maurício Machline, direção musical de Pretinho da Serrinha e cenografia de Nídia Aranha e Luisa Annik, a cerimônia foi concebida para transformar o palco do tradicional Theatro Municipal do Rio de Janeiro no ponto de encontro de alguns dos maiores nomes do nosso cancioneiro.

Durante o evento, serão revelados os vencedores das 18 categorias da premiação, anunciados pelo apresentador e humorista Fábio Porchat, intercalado pelas canções interpretadas por Ney Matogrosso, Almério, Zé Ibarra, Yago Oproprio, Joyce Alane, Núbia e Bruna Alimonda.

Tive oportunidade de acompanhar a carreira do poeta do rock desde o início. Me recordo de quando, pela primeira vez, ele se apresentou aqui na capital federal, em 1983, no Drive In, quando do show de lançamento do disco de estreia do Barão Vermelho. Me lembro do elogio que fiz de sua performance cênica, na qual vislumbrei influência de Mick Jagger, Ney Matogrosso e Caetano Veloso.

Depois, fui revê-lo no Rock in Rio, em janeiro de 1985, como citei anteriormente. Só em junho daquele ano é que, finalmente, consegui entrevistá-lo. Isso antes do show do Barão no Nilson Nelson, seis meses antes de deixar a banda, que superlotou o ginásio de esportes.

Bem receptivo e sem esconder sua homossexualidade, contou que morou por algum tempo em San Francisco, na Califórnia. Ao assumir posicionamento crítico afirmou: "Lá tem bairro gay, cinema gay, restaurante gay, bar gay. Fugi daquilo, pois não me sinto minoria. Nunca me senti. Tenho horror a gueto. Quero viver num mundo em que todo mundo tenha boa convivência".

 

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postado em 02/06/2026 06:00
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