ARTIGO

Danos de ignorar a ciência

Cortar investimento para pesquisas, sabotar programas de imunização, desprezar a importância das vacinas e disseminar notícias falsas sobre elas são ofensivas com consequências devastadoras para todo o planeta.

Temos, no Brasil, uma gestão empenhada em aumentar a cobertura vacinal  -  (crédito: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde)
Temos, no Brasil, uma gestão empenhada em aumentar a cobertura vacinal - (crédito: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde)

Uma obrigatoriedade de vacinação que já durava 81 anos acabou sendo derrubada pelo negacionismo. O resultado foi um surto que atingiu mais de duas centenas de pessoas e causou uma morte. O episódio não aconteceu no Brasil, claro, porque estamos sob um governo que reconhece e respeita a ciência. Ocorreu no país que muitos "patriotas" daqui alardeiam como exemplo para o mundo.

Com um presidente negacionista e integrantes do governo assumidamente antivacina, os Estados Unidos acabaram com a obrigatoriedade de militares se imunizarem contra a gripe. Dois meses depois, uma crise atingiu uma das Bases Aéreas do país, impactando mais de 200 soldados, com uma morte.

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A exigência da vacina contra gripe foi abolida em abril, sob a justificativa do livre-arbítrio e do respeito às convicções religiosas. A partir daí, no entanto, ficou clara, também, a falta de conscientização entre os militares, porque somente 40% deles decidiram se imunizar. Agora que a casa caiu, a Base Aérea retomou a aplicação das doses.

Esse caso diz respeito a cidadãos adultos, que têm autonomia para ignorar o negacionismo das autoridades e buscar a proteção que os imunizantes oferecem. Mas e quando as decisões afetam as crianças? Os Estados Unidos já retiraram sete vacinas recomendadas do calendário infantil: contra hepatite A e B, gripe, meningococo (que causa meningites), vírus sincicial respiratório, rotavírus e covid-19. Uma temeridade sob qualquer ponto de vista.

No Brasil, felizmente, temos uma gestão empenhada em aumentar a cobertura vacinal e atenuar os prejuízos causados por quatro anos de um governo detrator da ciência. Aqui, em vez de cortar, o Ministério da Saúde aumenta os tipos de vacinas do calendário nacional de imunização.

No último sábado, inclusive, teve início a aplicação da vacina pneumocócica 20-valente em todo o país. O imunizante protege contra 20 sorotipos da bactéria pneumococo, causadora de doenças como pneumonia e meningite. Também evita otite média, que pode causar perda auditiva. Pelo que vi em buscas na rede privada, esse imunizante custa entre R$ 400 e R$ 600. Mas está disponível, gratuitamente, no SUS.

A luta contra o negacionismo científico é missão para todas as nações. Cortar investimento para pesquisas, sabotar programas de imunização, desprezar a importância das vacinas e disseminar notícias falsas sobre elas são ofensivas que podem abrir portas para o aumento ou o retorno de doenças já controladas, com consequências devastadoras para todo o planeta.

 

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Por Opinião
postado em 25/06/2026 06:00
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