ARTIGO

O papel das universidades na aproximação entre Brasil e África

O Brasil possui uma longa tradição de cooperação com países africanos. Nos últimos anos, as universidades federais brasileiras têm assumido papel estratégico nesse processo

O Brasil possui uma longa tradição de cooperação com países africanos. Essa relação se manifesta na cultura, na história, na economia e, cada vez mais, na educação superior. Nos últimos anos, as universidades federais brasileiras têm assumido papel estratégico nesse processo, fortalecendo laços acadêmicos que contribuem para a formação de pessoas, a produção de conhecimento e o desenvolvimento compartilhado entre nações que enfrentam desafios semelhantes.

Foi nesse contexto que a Universidade Federal do Pará (Ufpa) participou do I Fórum de Reitores Brasil-África, realizado em Brasília, espaço que reuniu dirigentes universitários dos dois continentes para discutir novas possibilidades de cooperação científica e educacional. O encontro resultou na assinatura de 23 acordos acadêmicos entre a Ufpa e instituições de ensino superior de 13 países africanos, ampliando uma rede de colaboração construída a partir de interesses comuns e de uma visão estratégica sobre o papel da universidade no século 21.

Esse conjunto de convênios também representam um investimento na capacidade das universidades de atuarem como pontes entre sociedades. Em um mundo marcado por desafios globais cada vez mais complexos, a produção do conhecimento depende da colaboração entre instituições que compartilham experiências e estão dispostas a construir soluções conjuntas.

Questões como mudanças climáticas, segurança alimentar, transição energética, saúde pública, biodiversidade, inovação tecnológica e desenvolvimento sustentável exigem respostas que ultrapassam fronteiras nacionais. Nesse cenário, a cooperação acadêmica internacional deixa de ser um objetivo complementar para assumir caráter estratégico.

A Amazônia e a África oferecem contribuições valiosas para esse debate. Ambas abrigam enorme diversidade biológica e cultural, convivem com desafios relacionados à redução das desigualdades e possuem populações jovens que demandam oportunidades de formação, pesquisa e inovação. O intercâmbio entre universidades desses territórios amplia a capacidade de compreender problemas complexos e formular respostas mais adequadas às realidades locais.

A experiência brasileira também oferece elementos importantes para essa troca. Nas últimas décadas, as universidades federais passaram por um amplo processo de expansão e democratização. As políticas afirmativas transformaram o perfil do ensino superior, ampliando o acesso de estudantes historicamente excluídos e fortalecendo o compromisso das instituições com a inclusão social e a diversidade.

Esse aprendizado interessa ao mundo acadêmico e pode contribuir para o fortalecimento de sistemas educacionais em diferentes países. Da mesma forma, o Brasil tem muito a aprender com experiências desenvolvidas em universidades africanas, especialmente em áreas relacionadas à inovação social, à valorização dos saberes tradicionais e à construção de estratégias de desenvolvimento compatíveis com suas realidades culturais e territoriais.

Brasília ocupa posição central nesse movimento. Como capital da República, sede dos principais órgãos federais e da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), a cidade se consolidou como um espaço privilegiado para o diálogo sobre o futuro da educação superior brasileira e sobre a inserção internacional de nossas universidades.

Os debates realizados durante o Fórum Brasil-África demonstraram que existe um ambiente cada vez mais favorável à construção de redes acadêmicas voltadas para a cooperação entre países do Sul Global. Trata-se de uma agenda alinhada aos desafios contemporâneos e capaz de ampliar o protagonismo das universidades públicas na formulação de soluções para problemas que afetam milhões de pessoas.

Ao aproximar pesquisadores, estudantes e instituições, a cooperação acadêmica fortalece valores essenciais à vida democrática: o diálogo, o respeito à diversidade, a circulação de ideias e a busca compartilhada pelo conhecimento. Em um tempo marcado por profundas transformações sociais, tecnológicas e ambientais, esses valores tornam-se ainda mais necessários.

Os acordos firmados pela Ufpa durante o Fórum Brasil-África refletem essa visão. Eles reafirmam a capacidade das universidades públicas de liderar iniciativas de alcance internacional e demonstram que a educação superior continua sendo um dos instrumentos mais poderosos para promover desenvolvimento, integração e oportunidades para as futuras gerações.

 

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