Apenas cinco universidades brasileiras conseguiram melhorar suas posições no ranking do Center for World University Rankings (CWUR) 2024, divulgado em maio. O resultado acende um alerta, já que 49 das 54 instituições nacionais listadas caíram ou mantiveram suas colocações, evidenciando os desafios que impedem um avanço mais significativo do país no cenário acadêmico mundial. As que avançaram foram as universidades de Brasília (UnB), Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Federal de Alagoas (UFAL), Federal do Rio Grande (FURG) e Federal de Uberlândia (UFU). A Universidade de São Paulo (USP) segue como a mais bem colocada do país, na 117ª posição global.
A estagnação reflete problemas estruturais que vão além da sala de aula. Questões como financiamento instável, baixa produção científica de alto impacto e pouca inserção internacional formam a base das dificuldades enfrentadas pelas instituições. Para subir nessas listas, não basta apenas oferecer um bom ensino.
O desafio do financiamento contínuo
Um dos principais obstáculos é a instabilidade no financiamento público. As universidades federais e estaduais, que concentram a maior parte da pesquisa de ponta no Brasil, sofrem com orçamentos apertados e cortes frequentes. Essa realidade afeta diretamente a capacidade de investimento em laboratórios, bibliotecas e infraestrutura.
A previsibilidade de recursos é fundamental para o planejamento de projetos de longo prazo, que são os que costumam gerar maior impacto científico. Sem a garantia de verbas, muitas linhas de pesquisa importantes acabam interrompidas ou perdem força, comprometendo a competitividade das instituições.
Impacto na produção científica
A falta de recursos se reflete diretamente na produção científica, um dos pilares das avaliações internacionais. Os principais rankings globais, incluindo o CWUR, o QS World University Rankings e o Times Higher Education, valorizam o volume e a relevância das publicações, medidos pelo número de citações que os artigos recebem de outros pesquisadores.
Com investimentos menores, a ciência brasileira perde ritmo. O resultado é uma produção que, embora volumosa em algumas áreas, nem sempre alcança o mesmo impacto global de pesquisas feitas em países com maior aporte financeiro. Isso também dificulta a retenção de talentos, que muitas vezes buscam melhores condições de trabalho no exterior.
A barreira da internacionalização
Outro ponto crítico é a baixa internacionalização. A presença de professores e alunos estrangeiros nos campi, bem como as parcerias de pesquisa com instituições de outros países, são métricas com peso significativo. A diversidade cultural e a troca de experiências enriquecem o ambiente acadêmico e ampliam o alcance dos estudos.
Apesar de algumas iniciativas, a burocracia, a barreira do idioma e a divulgação limitada de programas no exterior restringem esse intercâmbio. Avançar nesse quesito é fundamental não apenas para a pontuação nos rankings, mas também para alinhar a produção científica nacional às discussões e aos desafios globais.










