
Paulo José Cunha — jornalista, professor e escritor
Há coisas tão bizarras que até ultrapassam o nível do inacreditável. Quer ver?
Já pesquisei, indaguei e não consegui uma explicação plausível para o fato de os cintos de segurança do banco traseiro dos carros terem uma espécie de "segredo", obrigando os passageiros a procurar entre duas opções a que aceita o cinto "certo". Se o passageiro não acertar com o encaixe correto, tem de tentar no outro até conseguir conectar. Então dispara um alarme enjoado até o cinto ser conectado. Às vezes, a operação se transforma num malabarismo, porque em muitos casos o conector desceu por aquele vão entre o assento e o espaldar da poltrona, e é uma luta pra encontrá-lo, puxá-lo pra fora e, por fim, conseguir encaixar o cinto. Uff! E olha que os dois conectores estão um ao lado do outro! Teoricamente, portanto, qualquer que fosse o encaixe, a conexão estaria valendo e o passageiro, protegido. Mas, se pode complicar, pra que facilitar, né não? Agora, vá entender…
Ainda em relação aos carros, há um troço que também não consigo entender. Em muitos modelos, o motorista é quem comanda a abertura ou o fechamento dos vidros traseiros. Mas em diversos casos, não é o motorista quem trava a abertura das portas traseiras, uma providência essencial para proteger as crianças. Quer dizer: pra abrir ou fechar vidros, tudo bem. Mas pra garantir a segurança das crianças, nem thuns, né? Agora, vá entender…
Ah, tem mais um descalabro desses nos carros. Alguém aí sabe me explicar por que é que as portas têm aquela primeira etapa do fechamento se ela não vale e a gente tem de bater a porta de novo pra fechar de verdade? São dois trabalhos, né não? Ora, vá entender…
Quer ver outra doidice dessas? Pois tá. Por que diabo os técnicos de futebol têm de ir aos estádios trajando terno, gravata e, em alguns casos, até colete? Éééé: colete! Às vezes, está fazendo um calor "senegalesco" como diziam os comentaristas do passado, e o técnico lá, do lado do campo, todo enfatiotado, gravata apertada, acompanhando a partida, até correndo na beirada do campo, suando como uma cuscuzeira e gritando com os jogadores. Coisa mais doida, siô! Será que eles pensam que usando terno e gravata aumentam o respeito dos jogadores por eles? Eu, hein! Ancelotti é um, com aquele chiclete que não para de mascar. Agora, vá entender…
E as bermudas masculinas sem braguilha? Os estilistas inventaram uma tira de pano pra ficar ali na frente do... propriamente dito, vamos dizer assim em respeito às famílias. Ah, você entendeu que eu sei. Entendeu, sim, você não me engana! Pois é. Só que não tem braguilha: na frente é... fechado! O que obriga o usuário a desatar o cinto e baixar a bermuda na hora do xixi, pra depois subir e fechar tudo: o cinto, se for bermuda de cinto, ou aqueles cordões de amarrar. Ora, com a braguilha seria bem mais fácil colocar o propriamente dito pra fora, despejar o xixi e fechar os botões. Só que, nas bermudas que fingem ter braguilha, quem olha de primeira até vê mesmo uma braguilha, só que não tem braguilha alguma, só aquela tira de pano indicando que ali deveria ter... uma braguilha! Pura enganação. Agora, vá entender…
Mas tem uma que decididamente eu não consigo entender e aposto que você também não, quer ver? Então me explica aí: por qual obscura razão as blusas dos pijamas masculinos têm aqueles decotes enooormes? Além de deselegantes, não servem para absolutamente nada. Se é pra refrescar, não refresca coisa alguma. Toda vez que visto um pijama desses, comento, sozinho na frente do espelho: — Diz aí: pra que é mesmo esse decotão se eu não vou... amamentar? Quá, quá, quá! Agora, vá entender...

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