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Mergulhados em uma nova normalidade

O que entendemos por normalidade mudou. Nunca tivemos um presidente eleito quatro vezes, que virou o jogo no segundo tempo, para alcançar uma vitória que resiste a qualquer denúncia ou choro

Opinião 14/10. Campanha, polarização, eleições -  (crédito: Caio Gomez)
Opinião 14/10. Campanha, polarização, eleições - (crédito: Caio Gomez)

O algoritmo do Instagram já está distribuindo mais do que política; parte dos soldados do Exército do Lula/Janones se deu férias, e os debates acalorados parecem estar mais confinados nas suas bolhas. Duas semanas após as eleições no Brasil, que tipo de normalidade cada um de nós esperava? Talvez um fragmento de paz e silêncio fosse o possível desejado pela maioria, depois da exaustão da batalha que se deu ao longo de todo o segundo turno. Porém, é preciso dizer que nada será como antes.

O que entendemos por normalidade mudou. Nunca tivemos um presidente eleito quatro vezes, que virou o jogo no segundo tempo, para alcançar uma vitória que resiste a qualquer denúncia ou choro. Nunca tivemos um candidato que fugiu três dias depois das eleições. Nunca tivemos uma onda progressista tão intensa, a partir do Brasil, a favor da reversão do ultraconservadorismo — aconteceu até nos Estados Unidos, mais extraordinariamente, até no Texas, vejam só, após 36 anos. 

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A exemplo do Brasil, o povo, em especial a juventude, tem ocupado as ruas e passado a exigir direitos e melhores condições de vida em diversos lugares. Também nunca tivemos uma vitória diante das big techs e de algoritmos claramente instruídos para beneficiar um lado. Por muito tempo, as imagens impressionantes dessa eleição sobreviverão em nossa memória e serão, por certo, eternizadas como um capítulo que merece menção nos livros daqui para a frente. 

A normalidade, agora, vai ter que abrigar essa mudança no curso da história. Tende a ser normal, a partir de agora, uma mobilização popular permanente para a defesa de direitos, que tem sido especialmente necessária, sobretudo, em relação à população indígena, vítima de cruéis atentados depois dos resultados das urnas. Em especial, existe a necessidade de manifestar solidariedade e exigir proteção à jovem deputada eleita Ana Elisa (PT-MG), que tem sido alvo de perseguição e ameaças terríveis. Que os autores sejam descobertos e punidos!

Aprendemos que temos, como povo, um extraordinário poder nas mãos. Com ou sem líderes, saberemos exercê-lo. Lula prometeu que seu melhor mandato será o próximo e que o exercerá olhando e ouvindo o povo. Deve fazer parte da rotina cobrar. Cobrar mais mulheres no Judiciário, mais punição para crimes contra as mulheres, mais proteção ao meio ambiente, mais segurança nas ruas, mais respeito e direitos às minorias, além de reforma do Judiciário, educação integral e todo o resto. 

Sim, minha ideia de normalidade, a partir de agora, inclui o povo não apenas como um escudo para a democracia, mas como um motor potente de avanços, exigente em relação àqueles que elegeu, incluindo aí o Congresso e os governos. Meu novo normal ideal também inclui uma tentativa de pacificação do país, que comece pelos políticos e se estenda à sociedade. Famílias foram segregadas, amizades foram suspensas. Sei que zerar esse jogo é difícil, mas devemos tentar. E, para você, qual será o novo normal?

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postado em 08/11/2026 05:00
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