Educação

Parlamentares pedem convocação do ministro da Educação por demissões no Inep

Além do ministro Milton Ribeiro, Frente Parlamentar de Educação da Câmara quer convocar também o presidente do Inep, Danilo Dupas. A duas semanas das provas, servidores do Inep pediram exoneração, alegando que as decisões não são tomadas com base em critérios técnicos

Bernardo Lima*
postado em 08/11/2021 19:09 / atualizado em 08/11/2021 19:11
 (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)
(crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)

A Frente Parlamentar Mista da Educação na Câmara protocolou, na Comissão de Educação, um requerimento para convocar o ministro da Educação, Milton Ribeiro, e o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Danilo Dupas. O pedido ocorre após a demissão em massa de funcionários da instituição.

Nesta segunda-feira (8/11), 31 funcionários do Inep pediram desligamento de seus cargos; 28 deles trabalham em áreas ligadas ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). As provas da edição 2021 do exame serão aplicadas nos dias 21 e 28 de novembro. 

O presidente da Frente Parlamentar Mista da Educação, Professor Israel Batista (PV-DF), entrou com um requerimento na Comissão de Educação para convocar Milton Ribeiro. O documento ao qual o Correio Braziliense teve acesso também prevê um convite para ouvir esclarecimentos de Danilo Dupas.

“Isso é muito grave, estamos a poucos dias do Enem, temos aí o Enade e outras avaliações importantes prestes a acontecer e é fundamental que a gente tome uma atitude com urgência e convide as autoridades para explicarem o que está acontecendo”, explica Israel. O deputado confirmou que a Frente Parlamentar Mista da Educação terá uma reunião ainda hoje para tentar contornar o problema.

Segundo o ex-ministro da Educação Renato Janine Ribeiro, é "evidente” que as demissões traduzem um mal-estar interno na pasta. Ele diz que a realização do Enem provavelmente terá “problemas sérios” como consequência da debandada.

Janine Ribeiro, que ocupou o cargo mais alto do ministério em 2015, diz que a realização do exame é chamada na pasta de “operação de guerra”, em razão de sua complexidade. “(O Enem) Exige uma concentração muito grande com todos os encarregados. Tem toda a complexidade no encaminhamento logístico do material até os lugares, a garantia de segurança e outros fatores”.

Para o ex-ministro as demissões em massa são um indicador da dificuldade pela qual a atual gestão está passando para administrar as suas diferentes dependências. “É um ministério muito grande, complexo, rico em recursos humanos e que precisa ser administrado com muita noção de suas atividades-fim. Então, acredito que essas demissões são um sintoma de que está havendo falha na gestão do MEC”, completa.

*Estagiário sob a supervisão de Andreia Castro

 

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