ARREPENDIMENTO?

Após Bolsonaro confirmar o PL, Carlos apaga tuíte de crítica a Costa Neto

A associação de Bolsonaro com o partido de Costa Neto é vista como um golpe à bandeira anticorrupção defendida pelo chefe do Executivo

Talita de Souza
postado em 08/11/2021 21:37 / atualizado em 08/11/2021 21:57
 (crédito: Renan Olaz)
(crédito: Renan Olaz)

O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) parece ter reservado a segunda-feira (8/11) para revisar antigos tuítes que possam comprometer o futuro político do pai, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Nesta segunda-feira (8/11), poucas horas após a notícia de que o chefe do Executivo decidiu se filiar ao Partido Liberal (PL), o parlamentar apagou uma postagem em que compartilhou uma notícia sobre um esquema de propina que envolvia o presidente da sigla, Valdemar da Costa Neto.

O tuíte foi feito em 28 de abril de 2016, de madrugada, e repetia o nome da reportagem. "Exclusivo: Delator aponta propina de 3,5% para PR e Valdemar Costa Neto nos contratos de Furnas”, diz a publicação.

A postagem foi localizada por usuários do Twitter pouco tempo depois do anúncio da filiação e, quando ele foi apagado, o apelido de Carlos Bolsonaro dado pela oposição — Carluxo — virou um dos assuntos mais comentados da rede social.

“Alguém sabe por que o Carluxo Bozonaro apagou esse tweet? Deve ter sido por engano, com certeza! Avante Bolsolão contra a corrupção!”, disse um usuário. “Bolsonaro vai pro PL, se unirá a um dos maiores corruptos da história do Brasil, Valdemar Costa Neto. Carluxo ate apagou críticas que fazia ao partido e ao Valdemar. Panos não faltarão pra seita bolsonarista”, criticou outro perfil.

Até mesmo o deputado federal Kim Kataguiri, ex-aliado da família Bolsonaro, criticou a ação. “E apagou o tweet por que, Carluxo? Por acaso agora que seu pai vai pro partido do mensaleiro, ele deixou de ser criminoso?”, disse o parlamentar.

 

Preso, mas cacique do Centrão 

Preso no esquema do Mensalão, Valdemar Costa Neto é apontado como um dos principais caciques do Centrão, bloco de partidos que comanda grande parte da articulação política do governo.

A associação de Bolsonaro com o partido de Costa Neto é vista como um golpe à bandeira anticorrupção defendida pelo chefe do Executivo, assim como pelos filhos que atuam como parlamentares. Durante a campanha nas eleições de 2018, Jair Bolsonaro prometeu que não se envolveria em esquemas de corrupção como ocorreu “em governos anteriores”, além de afirmar que trabalharia para enrijecer os mecanismos que desvendassem casos do tipo.

No entanto, a agenda anticorrupção não avançou no governo do presidente. Em junho, o Brasil foi o país que mais caiu em um ranking latino-americano que mede a capacidade de cada nação combater a corrupção, o Índice de Capacidade de Combate à Corrupção, elaborado pela entidade americana Américas Society/Council of the Americas (AS/COA).

A entidade justifica a queda pelo “desmantelamento da operação Lava-Jato em fevereiro deste ano” e a nomeação de “pessoas percebidas como menos independentes para o comando da Polícia Federal e do Ministério Público Federal”.

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