Eleições

Tebet é vista como alguém capaz de renovar imagem do MDB e se diferenciar na 3ª via

MDB anuncia pré-candidatura da senadora ao Palácio do Planalto. Ela é a única mulher confirmada, até agora, na disputa

Ingrid Soares
postado em 26/11/2021 06:00
A senadora Simone Tebet é vista como alguém capaz de renovar a imagem do partido e se diferenciar na terceira via -  (crédito: Waldemir Barreto/Agência Senado)
A senadora Simone Tebet é vista como alguém capaz de renovar a imagem do partido e se diferenciar na terceira via - (crédito: Waldemir Barreto/Agência Senado)

Com atuação destacada na CPI da Covid, a senadora Simone Tebet (MS) será a pré-candidata do MDB à Presidência da República. Entre os que já se lançaram para concorrer ao Palácio do Planalto, ela é a única mulher.

O presidente nacional do MDB, deputado Baleia Rossi (SP), informou que o lançamento da pré-candidatura da senadora será no mês que vem. “Desde março, tive conversas com dirigentes nacionais e regionais do MDB. A conclusão geral é de que precisamos de um nome do partido para 2022. Por isso, iremos homologar Simone Tebet como pré-candidata ao Planalto, na próxima reunião da Executiva, no início de dezembro”, escreveu no Twitter.

O objetivo da legenda é se colocar como alternativa na terceira via. Segundo integrantes do partido, o trabalho mostrado por Simone na CPI da Covid evidenciou que ela pode ser uma renovação de imagem da legenda, se apresentando como um diferencial em meio aos concorrentes já conhecidos.

O deputado Hildo Rocha (MDB-MA) ressaltou que Tebet é uma candidata competitiva e de liderança forte. “Ela vem desempenhando um bom trabalho durante o mandato, tem bom discurso, se comunica muito bem, tem experiência administrativa na área pública, conhece a realidade do povo brasileiro e sabe muito bem como administrar o país”, listou. “Precisamos de pessoas que saibam negociar com diversas lideranças, e isso ela consegue fazer com harmonia e liderança forte.”

Rocha destacou, ainda, que o partido não deve recuar do apoio à senadora. “O MDB não vai voltar atrás. Ela é pré-candidata por todas essas qualidades. Simone é pré-candidata na condição de estar bem na pesquisa interna com intenção de voto, e o MDB ficou de dar estrutura para que ela cresça ainda mais. É com ela que vamos. A ideia é essa. Ela é nossa melhor candidata”, frisou.

Em entrevista ao Correio em setembro, o ex-presidente Michel Temer colocou em dúvida a iniciativa do partido. “Conheço o MDB há muito tempo, né? E sempre foi assim... Sempre quis lançar candidato e, muitas vezes, acaba não lançando. Hoje, tem uma bela pré-candidata, a Simone Tebet, mas não sei se o partido vai com essa posição até o final”, afirmou, na ocasião.

Nas eleições presidenciais de 2018, o MDB lançou como postulante ao Planalto o ex-ministro Henrique Meirelles, que obteve 1,2% dos votos.

O maior incentivador da candidatura de Simone é Baleia Rossi. Ele assumiu o comando do partido, em 2019, com um discurso de renovação e de reconexão com as bases. A senadora movimenta a militância do partido e representa para os segmentos temáticos o que Meirelles passou longe de significar na eleição anterior.

“Simone é a candidata das massas do partido, da militância, do segmento jovem, do trabalhista, de diversidade. Meirelles foi um arranjo de última hora para justificar os avanços do governo Temer”, frisou Nestor Neto, presidente nacional do MDB Afro.
A expectativa é a de que a parlamentar incorpore, na pré-campanha, as diretrizes do “Todos por um só Brasil”, documento lançado em agosto com as bases do que o partido quer defender em 2022.

Com toda sua trajetória política no partido, Simone se apresenta como alguém equilibrada. Católica, diz-se progressista nos costumes, mas é contra a descriminalização do aborto, por motivos religiosos. Tem críticas à Operação Lava-Jato, mas não é “garantista”. Na economia, fincou os dois pés contra a PEC dos Precatórios e contra o esquema do orçamento secreto. (Com Agência Estado)



Memória

Na história, poucas candidatas

Desde o período da redemocratização do país, sete mulheres se candidataram à Presidência da República. A pioneira foi a advogada Lívia Maria Ledo Pio de Abreu, que concorreu ao posto pelo Partido Nacionalista em 1989 — Fernando Collor de Mello acabou eleito, vencendo outros 24 concorrentes.

As outras candidatas foram Thereza Ruiz (1998), Ana Maria Rangel (2006), Heloísa Helena (2006), Marina Silva (2010 e 2014), Luciana Genro (2014) e Dilma Rousseff, eleita em 2010 e 2014.

Protagonista de disputas no Senado

Sul-mato-grossense de Três Lagoas, Simone Tebet (MDB) trilhou, até aqui, caminho muito parecido com o do pai, o ex-senador Ramez Tebet, por meio de quem deu os primeiros passos na vida pública. Envolvida nas reuniões políticas do pai desde pequena, foi quem, dos quatro irmãos, herdou o legado. Como Ramez, Simone sempre foi filiada ao MDB. Ambos foram prefeitos, deputados estaduais, vice-governadores e chegaram ao Senado. Ele ocupou a presidência da Casa de 2001 a 2003, em uma construção finalizada pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL).

O político alagoano era o presidente quando Simone chegou a Brasília, em 2015, e providenciou que ela herdasse o gabinete que foi ocupado pelo pai. Anos depois, ela protagonizaria com Renan disputas que marcariam reviravoltas no poder na capital do país e sedimentariam o perfil austero, combativo e pragmático da senadora.

Em 2019, ela disputou na bancada a indicação do partido à Presidência do Senado e foi derrotada pelo correligionário em um atrito que a fez ameaçar deixar a sigla. Em reação, declarou apoio a Davi Alcolumbre (DEM-AP), que impôs a maior derrota já sofrida por Renan e desalojou o MDB do comando do Congresso.

Dois anos depois, Simone renovou o ímpeto de presidir a Casa. Desta vez, optou pelo pragmatismo e contou com o apoio de Renan, que mobilizou parte do gabinete para ajudar a correligionária a enfrentar Rodrigo Pacheco (então no DEM e, hoje, no PSD-MG) - a sintonia se repetiria na CPI da Covid. Novamente, foi vencida na bancada. Concorreu de forma avulsa e perdeu por 57 votos a 21. Os aliados consideraram o resultado bastante satisfatório.

O lançamento da pré-candidatura de Tebet expõe uma disputa antiga dentro de um partido marcado pelo caciquismo e governismo. Uma parte, puxada pelo ex-senador Eunício Oliveira (CE), quer se reaproximar do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Outra, defende o governo de Jair Bolsonaro no Senado e no conjunto do Congresso, com os líderes Fernando Bezerra (PE) e Eduardo Gomes (TO).

“O MDB precisa fazer reuniões para todos conhecermos as intenções do partido, mas é bom ter o nome de uma mulher para encarar uma disputa nacional”, disse a senadora Rose de Freitas (MDB-ES), primeira mulher a ocupar vaga na Mesa Diretora do Senado. “Neste momento político em que estamos, com uma pessoa na Presidência e outra que já foi presidente querendo disputar, é tarefa árdua viabilizar a terceira via. Só se todos tiverem desprendimento político de discutir o país.”

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