ENEM

Bolsonaro diz que "linguagem neutra dos gays" vai "estragando a garotada"

Após fazer ataque homofóbico, chefe do Executivo alegou ainda intenção em interferir nas edições das provas do Enem e disse que o próximo exame "vai ser nosso"

Ingrid Soares
postado em 07/12/2021 13:41 / atualizado em 07/12/2021 13:43
 (crédito:  Isac N..brega/PR)
(crédito: Isac N..brega/PR)

O presidente Jair Bolsonaro (PL) falou nesta terça-feira (7/12) sobre o que chamou de "linguagem neutra dos gays". O chefe do Executivo citou como exemplo uma questão da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2018 e reclamou que a utilização dos termos neutros "estraga a garotada". Na linguagem neutra, os pronomes contemplam pessoas de gênero não binário, no lugar de "ele/ela".

"Lembra dois anos atrás a questão da linguagem neutra dos gays? Não tenho nada contra, nem a favor. Cada um faz o que bem entender com seu corpo. Mas por que a linguagem neutra dos gays? O que soma para gente numa redação? Agora, estimula a molecada a se interessar por essa coisa, por…", apontou a apoiadores na saída do Palácio da Alvorada, sem terminar a frase.

Um dos homens presentes emendou que a utilização acaba "estragando a linguagem". Foi então que Bolsonaro rebateu que "a linguagem é o de menos, vai estragando a garotada". 

A questão à qual Bolsonaro se referiu abordou a variação linguística em 2018 e mostrou um texto sobre "pajubá, o dialeto secreto dos gays e travestis", questionando o candidato sobre os motivos que fazem a linguagem se caracterizar como "elemento de patrimônio linguístico".

O chefe do Executivo alegou ainda intenção em interferir nas próximas provas do Enem e disse que o próximo exame "vai ser nosso". "Alguns querem que a gente mude de uma hora para outra. Começa a mudança agora. O próximo Enem que vai ser nosso. Falar que tinha que interferir… Se eu pudesse interferir, não seria esse tipo de Enem que tá ai. De jeito nenhum", completou.

Em viagem a Dubai, dias antes da prova, ele afirmou que os exames estão começando "a ter a cara do governo".

Depois, disse que se pudesse interferir na prova, o tema da redação seria "mais tranquilo". "Pouca gente ia saber o que é invisível, né. Invisível é o pessoal que foi obrigado a ficar em casa e não tinha ganhos", disse na data, em referência ao assunto da prova, que tratou sobre 'invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil'.

 

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