Comércio exterior

Acordo UE-Mercosul reforça multilateralismo, diz senador Nelsinho Trad

Presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional avalia tratado como estratégico para reduzir dependências, impulsionar indústria e agronegócio e ampliar o peso do Brasil no cenário global

Parlamentar diz que os benefícios serão distribuídos de forma equilibrada, com ganhos relevantes para regiões fortemente agrícolas, como o Centro-Oeste -  (crédito: Roque de Sá/Agência Senado)
Parlamentar diz que os benefícios serão distribuídos de forma equilibrada, com ganhos relevantes para regiões fortemente agrícolas, como o Centro-Oeste - (crédito: Roque de Sá/Agência Senado)

O acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul representa um avanço estratégico para a política externa brasileira e fortalece o multilateralismo em um cenário internacional marcado por disputas comerciais e tensões geopolíticas. A avaliação é do senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), em entrevista ao Correio.

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Para o parlamentar, a assinatura do tratado ocorre em um momento oportuno e não deveria ser postergada. “Não é recomendável para nenhum país ficar dependente de uma única potência. O acordo fortalece o multilateralismo e amplia a capacidade de negociação do Brasil com o bloco europeu e, indiretamente, com os próprios países do Mercosul”, afirmou. Segundo Trad, janelas políticas como essa são cíclicas e precisam ser aproveitadas quando o ambiente se mostra “favorável” dos dois lados do Atlântico.

Na avaliação do senador, os impactos econômicos tendem a se concentrar em dois grandes eixos: a indústria e o agronegócio. Ele defende que os benefícios serão distribuídos de forma equilibrada, com ganhos relevantes para regiões fortemente agrícolas, como o Centro-Oeste. “No Mato Grosso do Sul, a expectativa era muito grande. Abrem-se novas perspectivas para os produtos do agronegócio brasileiro”, destacou.

Questionado sobre a resistência de alguns países europeus, em especial a França, Nelsinho Trad ponderou que o impasse faz parte da dinâmica diplomática e parlamentar. Para ele, o caminho passa pelo diálogo constante. “Não se pode ignorar os 5 ou 6 países que votaram contra. É preciso compreender os pontos sensíveis de cada um e trazê-los para a conversa”, disse, minimizando o risco de entraves significativos ao avanço do acordo.

O senador avalia ainda que o processo exigirá acompanhamento permanente, tanto no plano diplomático quanto no legislativo, mas vê o tratado como um passo relevante para ampliar a inserção internacional do Brasil.

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postado em 09/01/2026 10:43 / atualizado em 09/01/2026 10:43
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