
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou, ontem, o advogado-geral da Petrobras, Wellington Cesar Lima e Silva, como novo ministro da Justiça e Segurança Pública. Ele substitui o ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski, que deixou o cargo na semana passada. O anúncio foi feito depois de uma reunião no Palácio do Planalto, que contou com a presença do ministro interino da pasta, Manoel Carlos de Almeida. A nomeação já foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU).
O novo ministro é considerado um jurista muito respeitado e, juntamente com o advogado-geral da União, Jorge Messias — indicado pelo presidente para a 11ª cadeira do STF —, homem da extrema confiança de Lula. Não é a primeira vez que Lima e Silva está à frente do Ministério da Justiça: em 2016, no governo da ex-presidente Dilma Rousseff, ele ficou apenas 11 dias no cargo, depois de o STF considerar inconstitucional que um integrante do Ministério Público exercesse cargo no Poder Executivo. Ele optou por continuar no MP da Bahia e abriu a vaga para a indicação do jurista e professor Eugênio Aragão.
À frente do MJSP, o objetivo de Lima e Silva é dar ênfase à área da segurança pública, setor que atualmente ganha protagonismo devido ao avanço do crime organizado e às disputas entre facções. Um dos seus objetivos é o de aprovar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança nos moldes que foi remetida pelo Palácio do Planalto ao Congresso. Porém, mesmo no governo há dúvidas se vale a pena investir tanto esforço — e correr o risco de colher um desgaste proporcional num ano eleitoral — na matéria. Isso porque o bolsonarismo pretende barrar qualquer iniciativa de se alterar a PEC e mesmo o relator, deputado Mendonça Filho (União Brasil-PE), considera que não há mais nada a negociar no substitutivo.
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A escolha de Lima e Silva sinaliza, ainda, que o governo deve abandonar a ideia de desmembrar o ministério para criar uma pasta exclusiva para segurança pública. Ele tem apoio dos ministros palacianos Rui Costa (Casa Civil) e Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação Social), e do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) — todos da Bahia.
Natural de Salvador, Lima e Silva foi procurador-geral de Justiça da Bahia por dois mandatos consecutivos (2010-2014). À época, o estado era governado pelo atual líder do governo no Senado. Os quatro anos na função de procurador-geral fizeram com que ele fosse indicado ao comando da pasta da Justiça no governo Dilma.
O nome de Lima e Silva vinha sendo ventilado, embora com menos intensidade, desde que Lewandowski anunciou a saída do ministério. Vinha, porém, correndo por fora, enquanto se falava que Andrei Passos Rodrigues (diretor-geral da PF), Camilo Santana (ministro da Educação) e Tarso Genro (ministro da Justiça no segundo governo Lula) estavam entre os principais cotados para o posto.
No atual mandato do governo Lula, Lima e Silva atuou como secretário de Assuntos Jurídicos da Casa Civil — função atualmente preenchida por Marcelo Weick. Ao deixar o posto, no ano passado, foi indicado por Lula para assumir a Advocacia-Geral da Petrobras. Ele é considerado um profissional com profundo conhecimento, mas de perfil discreto.
Lima e Silva tem como tarefas pela frente, além da PEC da Segurança Pública, a aprovação do PL Antifacção (PL 5.582/25) conforme as modificações realizadas no Senado — voltou para a Câmara exatamente por causa disso — e o PL da Dosimetria, que foi integralmente vetado por Lula e sobre o qual os bolsonaristas prometem se mobilizar para que seja mantido. Mas as tarefas não terminam aí: o novo ministro ainda terá de lidar com os pedidos de extradição dos ex-deputados Alexandre Ramagem — que fugiu para os Estados Unidos a fim de escapar da condenação, pelo STF, por fazer parte do grupo que tentou dar um golpe de Estado depois das eleições de 2022 — e Carla Zambelli — presa na Penitenciária de Rebibbia, em Roma, depois que também fugiu para não cumprir pena por reiteradas invasões aos sistemas de dados do Poder Judiciário.
De saída
Enquanto Lima e Silva chega, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, está de saída. Ele anunciou, ontem, que deixará o comando da pasta em abril para se dedicar integralmente à pré-candidatura ao Senado por Pernambuco. Ele frisou que a decisão é resultado de um processo de amadurecimento político e da avaliação positiva do seu nome nas pesquisas de intenção de voto.
"Estou trabalhando muito para cada vez mais consolidar a nossa candidatura ao Senado. Me sinto pronto e preparado para representar Pernambuco no Senado", afirmou.
Apesar do otimismo, Costa Filho ponderou que disputas majoritárias dependem de múltiplos fatores. Ainda assim, destacou a proximidade com Lula e o incentivo recebido para a candidatura. "Tenho conversado com o presidente, que, cada vez mais, tem me estimulado a disputar o Senado porque ele sabe que sempre procurei fazer política com decência, lealdade e correção. Vamos juntos, ao lado do presidente, continuar trabalhando muito nos próximos anos pelo futuro do nosso estado", garantiu.
Saiba Mais
Iago Mac Cord
Jornalista Política e BrasilFormado pela Universidade Ceub, estagiou por um ano no Correio e agora é um dos responsáveis por acompanhar o Judiciário e a segurança pública nacional. Com interesse em Jornalismo Humanitário, tem a ambição de cobrir crises sociais e ambientais.
Francisco Artur de Lima
RepórterJornalista soteropolitano em Brasília, com experiência nos jornais O Estado de S.Paulo e A Tarde. Hoje, integro a equipe de Política, Economia e Brasil do Correio
Victor Correia
RepórterJornalista formado pela UnB, com especialização em Jornalismo Digital pela FAAP. Repórter de Política no Correio desde 2022, atualmente como setorista no Planalto. Também estagiou em Ciência, Saúde e Tecnologia no Correio entre 2016 e 2018.

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