
O advogado-geral da União, Jorge Messias, acelerou nas últimas semanas a articulação política para viabilizar sua indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF). Ele tem apostado em encontros reservados e conversas indiretas com lideranças do Congresso, especialmente do Senado, para reduzir resistências antes do envio formal do nome pelo Palácio do Planalto.
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Um desses movimentos ocorreu no fim de dezembro, quando Messias se reuniu com o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) — que concorria com ele pela indicação à 11ª cadeira da Corte e era o nome defendido pelo presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP). Segundo interlocutores do parlamentar, a conversa durou cerca de uma hora e teve como objetivo pacificar a relação entre os dois, após desgastes provocados pela disputa à indicação. O encontro serviu para reorganizar pontes políticas.
A reunião foi costurada por pessoas ligadas a Messias e a Pacheco, que trabalharam para reduzir resistências mútuas e criar um ambiente menos hostil à indicação do AGU. A estratégia de Messias tem sido evitar movimentos públicos e apostar em agendas discretas, muitas vezes fora de Brasília, com conversas preparatórias antes de qualquer encontro formal. Auxiliares relatam que, em alguns casos, a articulação passa por emissários e líderes partidários, que testam o ambiente antes de abrir portas para reuniões presenciais.
Mesmo com o Congresso em recesso até o início de fevereiro, o advogado-geral da União manteve o ritmo das articulações. Ele se reuniu, recentemente, com o presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Otto Alencar (PSD-BA), colegiado pelo qual Messias será sabatinado caso seu nome seja confirmado pelo Palácio do Planalto. O encontro foi antecedido por semanas de conversas indiretas e sinalizações de aliados. Segundo relatos, a estratégia é para garantir um ambiente favorável à sabatina. Isso porque um dos projetos do bolsonarismo é justamente derrotar a indicação ainda na CCJ e criar um constrangimento para o Palácio do Planalto logo na largada do processo.
Aproximação
Outro flanco da ofensiva de Messias é a aproximação com a bancada evangélica, tradicionalmente identificada com pautas conservadoras e, majoritariamente, alinhada ao bolsonarismo. Levantamento feito junto a deputados representantes das correntes neopentecostais indica que ao menos 28 manifestam apoio à eventual indicação do AGU — que, por sinal, também é evangélico.
O movimento, porém, é tratado com cautela. Parlamentares próximos à frente relatam que a construção desse apoio tem ocorrido de forma fragmentada, com conversas individuais e reuniões de pequenos grupos, evitando encontros amplos que possam gerar reação da ala mais radical — que tem o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), à frente.
A aproximação com os evangélicos, inclusive, enfrenta resistências entre eles. Parte da bancada vê com desconfiança a tentativa de diálogo e avalia que o apoio a Messias pode aprofundar divisões no grupo, hoje menos coeso do que no começo da atual legislatura. Ainda assim, aliados do advogado-geral destacam que seu perfil técnico e o histórico de posições consideradas conservadoras em temas sensíveis têm ajudado a reduzir objeções.
Interlocutores do Congresso avaliam que a indicação de Messias, se confirmada, terá custo político elevado. A percepção é de que consolidou-se um novo padrão de negociação para as cadeiras no STF, no qual o Executivo passa a depender de consultas mais amplas às lideranças partidárias, especialmente do Centrão. Apesar disso, os indicativos parciais são favoráveis a Messias. Pelas contas feitas até agora, ele tem chances de ser aprovado, ainda que por margem apertada, para ocupar a vaga aberta com a saída de Luís Roberto Barroso.
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