
O presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), Edvandir Felix de Paiva afirmou que a categoria está “perplexa” com as decisões do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli em relação ao caso do Banco Master. O dirigente foi o entrevistado desta segunda-feira (19/1) no programa CB.Poder — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília.
“A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal emitiu uma nota no sábado (17) esclarecendo a posição dos delegados. Não é apenas uma posição da presidência ou da cúpula da associação, mas algo extraído de vários colegas. Há uma comoção na Polícia Federal e os delegados estão perplexos com as decisões do ministro”, destacou Paiva em conversa com as jornalistas Denise Rothenburg e Ana Maria Campos.
O presidente da ADPF explicou que decisões estratégicas e planejamentos investigativos — como a escolha do momento de uma acareação, procedimento com depoimentos que se contradizem, e quem será acareado — são papel da PF, e não do Supremo. Ele disse ainda que, apesar de respeitar a decisão do magistrado, as medidas tomadas por Toffoli modificam o que foi pensado pela PF e que colegas da profissão estão “preocupados” com a falta de sucesso da investigação.
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“Após a acareação, o STF definiu um prazo exíguo. Pior que isso: após as apreensões, decretaram o sigilo das apreensões para a própria equipe que estava investigando, e o material foi encaminhado para outro órgão, a PGR, que tem outro papel na persecução penal. Posso dizer que nossos colegas estão muito preocupados de que a investigação não tenha o sucesso esperado. Nós não queremos dizer que A, B ou C está implicado; queremos saber o que aconteceu, que é o que a sociedade quer saber”, apontou Edvandir Paiva.
PEC da Segurança
Perguntado também sobre a “PEC da Segurança Pública”, que promete criar um Sistema Único de Segurança Pública (Susp), o delegado disse acreditar que a proposta é “interessante”, por prometer melhores condições aos órgãos administradores do tema, mas tem ressalvas. De acordo com ele, a PEC não traz grandes novidades e “peca” ao não inovar, ignorando tópicos como a obrigatoriedade de ser um delegado de carreira para chegar ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal.
Também na avaliação do dirigente, o “PL Antifacção”, projeto de lei aprovado pelo Congresso e que gerou entraves entre governo e oposição, teve uma melhora no Senado, podendo, porém, ter estipulado o ganho de recursos diretamente para a PF, e não para o Fundo Nacional de Segurança Pública, que é geral.
Assista à entrevista completa:
*Estagiária sob a supervisão de Andreia Castro

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