
A caminhada de cerca de 240 quilômetros que o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) faz pela BR-040, entre Minas Gerais e Brasília, provocou forte reação de parlamentares da base governista, que classificam a mobilização como um ato midiático em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e da anistia a envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
A crítica mais contundente partiu do deputado Pedro Campos (PSB-PE), que acusou o parlamentar mineiro de promover uma “farsa” e de importar, de forma distorcida, referências históricas e culturais.
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“Nikolas Ferreira decidiu caminhar por sete dias até Brasília, mas eu preciso de menos de dois minutos para explicar mais uma farsa dessa turma”, afirmou Campos. Para o deputado do PSB, a iniciativa da extrema direita brasileira seria uma “cópia mal feita” de mobilizações simbólicas dos Estados Unidos, com referências a personagens como Forrest Gump e ao líder dos direitos civis Martin Luther King Jr.
Segundo Pedro Campos, a comparação escancara a hipocrisia do movimento. “A semelhança entre Forrest Gump e Nikolas é só que os dois gostam de mentir, de ir além da verdade. Mas Forrest não fazia isso para prejudicar ninguém. A caminhada dele era mais nobre, porque era sem motivo algum. Já Nikolas está andando para soltar alguém condenado pela Justiça”, declarou.
O parlamentar também rebateu a tentativa de associação com Martin Luther King. “A única semelhança é que ambos são da igreja batista. Mas a igreja de Martin Luther King defendia a igualdade racial. A de Nikolas, liderada pelo pastor André Valadão, está sob suspeita no caso do Banco Master”, criticou. Para Campos, enquanto a marcha histórica nos EUA defendia “trabalho e liberdade”, Nikolas teria retirado o “trabalho” de sua pauta.
“Ele nunca defendeu o trabalhador. É contra o fim da escala 6×1, é contra direitos dos trabalhadores de aplicativo e prefere caminhar para defender Bolsonaro, em vez de pautas que realmente beneficiem o povo.”
A crítica de Pedro Campos ecoou entre outros parlamentares governistas. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), classificou a mobilização como “vergonha alheia” e uma demonstração de “falta de rumo”. “É a caminhada Forrest Gump. Um ato esvaziado, que só fala em anistia e em tirar Bolsonaro da cadeia”, disse, acrescentando que o grupo não se mobiliza por temas como o fim da escala 6×1 ou a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil.
A deputada Erika Hilton (PSol-SP) ironizou a iniciativa ao comparar propostas da esquerda com a ação da direita. “Enquanto a esquerda defende aumento real do salário mínimo, fim do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil e o fim da escala 6×1, a direita faz um reality show caminhando de Minas até Brasília para fingir que está fazendo alguma coisa”, afirmou.
Já a deputada Erika Kokay (PT-DF) reforçou que “o povo sabe qual caminhada faz o Brasil avançar”. Segundo ela, o país avança ao sair do mapa da fome, gerar empregos, fortalecer o SUS e a educação — e não com marchas “para anistiar golpistas”.
Defesa de Nikolas
Do outro lado, Nikolas Ferreira nega que a caminhada tenha como único objetivo a defesa de Jair Bolsonaro. Em vídeo publicado na conta do X do vereador paulistano Lucas Pavanato, o deputado afirmou que a mobilização busca denunciar injustiças e mobilizar a população contra o que chama de escândalos sucessivos.
“A gente está lutando aqui pela liberdade dos presos do dia 8, pela liberdade também de Jair Bolsonaro e outras figuras, como Felipe Jair Martins e o Coronel Naime. Mas, acima de tudo, para acordar o povo brasileiro, que está cansado de tantos escândalos”, declarou. Segundo Nikolas, a caminhada culminará em uma manifestação em Brasília no domingo (25). “Vamos mostrar que ainda tem brasileiro disposto a lutar por esse país”, disse.

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