
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), adiou a visita que faria ontem a Jair Bolsonaro, que está preso no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a Papudinha. O pedido para encontrar o ex-presidente tinha sido feito ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na semana passada e foi concedido na terça-feira. Em nota enviada ao Correio, a equipe do governador afirmou que o adiamento ocorreu por decisão do próprio Tarcísio, em razão de compromissos previamente assumidos em São Paulo — "uma nova data será solicitada", acrescenta o comunicado.
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Apesar da alegação de ter havido um conflito de agendas, nos bastidores o adiamento da visita foi atribuído ao fato de que Tarcísio seria cobrado por Bolsonaro a explicitar o apoio a Flávio na corrida presidencial e a afirmar, publicamente, que sua meta eleitoral é a reeleição ao Palácio dos Bandeirantes. Porém, o governador vem sendo pressionado por setores da direita a não abrir mão, pelo menos por ora, da candidatura ao Palácio do Planalto.
Isso porque pesquisas de opinião o colocam com chances de fazer uma disputa equilibrada com Inácio Lula da Silva, enquanto que as possibilidades do senador aparecem como menores. O mais recente levantamento, realizado pela AtlasIntel e divulgado ontem, mostra que Tarcísio perderia para o presidente no segundo turno (39% contra 49% do petista), mas por uma margem mais curta do que a de Flávio (35% contra 49% de Lula).
Além disso, em pesquisas anteriores, Tarcísio chegou a registrar 47% contra 49% de Lula, configurando um empate técnico dentro da margem de erro. O governador também mantém uma taxa de rejeição (41,1%) menor que a de Lula (49,7%) e a de Flávio (47,4%), cujo alto percentual é atribuído ao sobrenome.
Segundo Flávio, a prioridade do bolsonarismo é garantir a reeleição do governador em São Paulo, considerada estratégica por concentrar o maior colégio eleitoral do país. "Tarcísio vai ouvir da boca de Bolsonaro que está fazendo um grande trabalho como governador de São Paulo e que sua reeleição é fundamental para a estratégia nacional de derrotar o PT. As eleições presidenciais estão descartadas para ele", sentenciou o senador em entrevista ao O Globo. O encontro entre o ex-presidente e o governador seria o primeiro desde a prisão do ex-presidente.
O adiamento da visita provocou reações no bolsonarismo. O vice-prefeito de São Paulo, coronel Mello Araújo (PL), criticou a decisão do governador. "Vejo como um equívoco. Entendo que o presidente, nessa situação humanitária que ele está vivendo, passando por todo esse sofrimento… Pelo menos metade da população brasileira gostaria de visitá-lo. Eu seria um deles", afirmou. Tarcísio não quis comentar.
Mello Araújo rechaçou a ideia de que a desistência tenha relação com receio de associação a articulações eleitorais em torno de uma eventual candidatura presidencial. Segundo ele, a definição já estaria consolidada no campo bolsonarista. "O presidente escreveu uma carta de próprio punho para não existir dúvidas de que ele (Flávio) é o candidato. Para toda a direita, é Flávio", frisou.
Senador atende ex-presidente e ajuda 01
O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), anunciou ontem que não seguirá à frente da pré-candidatura ao governo potiguar. A decisão, segundo o parlamentar, decorre de um pedido direto do ex-presidente Jair Bolsonaro para que ele concentre esforços na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.
Em entrevista concedida em Natal, Marinho afirmou que a mudança de rota exigiu uma reavaliação pessoal e política. Disse que a escolha não foi simples, após um ano inteiro dedicado à construção de seu projeto estadual, mas que pesou o vínculo político e a confiança mantida com Bolsonaro. O senador passará a integrar a coordenação-geral da campanha do filho 01.
Marinho relatou o impacto da decisão. “Há alguns dias, tenho dormido mal, tenho me sentido diferente, pela mudança de rumos que a vida me leva a tomar, mas eu não posso negar um pedido do presidente Bolsonaro. Não posso”, afirmou.
Com a saída do senador da disputa local, o campo oposicionista anunciou o ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias, como novo pré-candidato ao governo potiguar. A escolha busca preservar a unidade do grupo e evitar a fragmentação da direita no estado em um cenário eleitoral polarizado.
Em nota, Marinho reforçou que atendeu a um apelo direto do ex-presidente. Relembrou o trabalho realizado em 2025, período em que percorreu municípios do Rio Grande do Norte e manteve diálogo com lideranças regionais. Ainda assim, apontou que o contexto político nacional foi determinante para a mudança de planos, citando a prisão de Bolsonaro e sua exclusão do processo eleitoral como fatores centrais.
“Neste momento difícil, ele me pede que me some à luta de seu filho, Flávio, para que juntos possamos resgatar o país”, escreveu.
Eleito senador em 2022, Marinho cumpre mandato de oito anos, que chega à metade no fim de 2026. No tabuleiro potiguar, além de Álvaro Dias, já está definida a pré-candidatura do secretário estadual da Fazenda, Carlos Eduardo Xavier (PT), nome do grupo governista. (Com AE)
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