
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou a viagem oficial ao Panamá com resultados concretos na área econômica e uma agenda diplomática ampliada para os próximos meses. Além da assinatura de acordos bilaterais com o governo panamenho, o retorno ao Brasil veio acompanhado da confirmação de encontros com presidentes sul-americanos de orientação política distinta da sua, reforçando a estratégia de pragmatismo nas relações regionais.
Durante a visita, Brasil e Panamá firmaram quatro instrumentos de cooperação. O principal deles foi o acordo de cooperação em investimentos, assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que busca dar maior segurança jurídica e previsibilidade ao fluxo de capital entre os dois países. Também foram formalizados um termo de referência para a negociação de um acordo comercial de alcance parcial e um memorando de entendimento voltado à cooperação no setor de turismo, ampliando as frentes de parceria bilateral.
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No campo político, Lula confirmou que viajará a Santiago em março para participar da posse de José Antonio Kast como novo presidente do Chile. O convite foi feito pessoalmente por Kast durante reunião bilateral realizada na terça-feira (27/1), à margem da agenda oficial no Panamá. O encontro sinaliza a disposição do governo brasileiro em manter diálogo institucional com líderes de diferentes espectros ideológicos na América do Sul.
Ainda na capital panamenha, o presidente brasileiro também convidou Rodrigo Paz, descrito como novo presidente da Bolívia, para realizar uma visita oficial ao Brasil no primeiro semestre de 2026. Segundo o relato, o encontro deverá ocorrer antes do início do período eleitoral brasileiro, como parte do esforço de articulação regional.
A viagem teve como eixo central a participação de Lula no Fórum Econômico da América Latina e Caribe, frequentemente chamado de “Davos latino-americano”. Em seu discurso, o presidente abordou desafios regionais e o cenário geopolítico internacional, defendendo maior coordenação entre os países latino-americanos e caribenhos.
Sem citar diretamente países ou líderes, o petista fez referência à posição estratégica da região, próxima da maior potência militar do mundo, numa alusão ao contexto internacional envolvendo os Estados Unidos, atualmente sob a presidência de Donald Trump. O presidente voltou a defender a integração regional como resposta às tensões globais e às disputas geopolíticas.
Na avaliação de Lula, porém, a América Latina vive um momento de fragilidade institucional nesse campo. Ele criticou a paralisação da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), atribuindo o impasse a divergências ideológicas entre os países-membros. “A única organização que engloba a totalidade dos países da América Latina e Caribe, a Celac, está paralisada, apesar dos esforços do nosso querido presidente Petro. A Celac não consegue produzir nem mesmo uma única declaração contra intervenções militares ilegais que abalam a nossa região”, afirmou.
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