
A Polícia Federal abriu inquérito para investigar a atuação de influenciadores digitais em um suposto ataque orquestrado ao Banco Central, por meio das redes sociais, após a autoridade monetária decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master. O processo foi autorizado pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso.
As suspeitas surgiram após influenciadores de direita denunciarem terem sido abordados com propostas financeiras para gravar vídeos com críticas ao BC. O objetivo seria atacar a liquidação do Master e colocar em xeque a credibilidade da autoridade monetária. A partir disso, a PF produziu um relatório preliminar e o entregou a Toffoli.
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A apuração iniciou-se após a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) identificar um volume atípico de publicações nas redes sociais relacionadas ao processo de liquidação, em novembro do ano passado. Os influenciadores Rony Gabriel e Juliana Moreira Leite afirmaram ter recebido propostas para postar em seus perfis discursos em defesa da instituição de Daniel Vorcaro.
A PF fez uma análise preliminar das postagens e identificou possíveis crimes. Ao Supremo, justificou que a abertura do inquérito é para apurar se houve uma ação orquestrada — e paga — contra o Banco Central. A apuração está sendo conduzida pela Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção (Dicor) e tramita sob sigilo no âmbito da corporação. Com isso, os investigadores poderão tomar depoimentos e analisar mais profundamente o material colhido.
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A defesa de Vorcaro negou o acerto com influenciadores e informou que ele "não tem qualquer relação com a contratação ou difusão de fake news, tampouco com campanhas digitais de difamação contra autoridade pública".
"Vorcaro já requereu a abertura de investigação específica para apurar origem, autoria e responsabilidade pela produção e circulação dessas notícias falsas e ofensivas, justamente para afastar insinuações indevidas e permitir o esclarecimento completo dos fatos", diz a nota dos advogados do banqueiro. "A defesa permanece colaborando com as autoridades competentes e segue à disposição para contribuir com o avanço das apurações relacionadas a este e aos demais aspectos."
Prejuízos
Os custos associados à quebra do Master já ultrapassam R$ 50 bilhões, segundo estimativas iniciais. O valor total das perdas ainda é incerto, à medida que autoridades e instituições financeiras apuram os prejuízos provocados ao Banco de Brasília (BRB), fundos de pensão e empresas que mantinham investimentos na instituição.
Somente os recursos que deverão ser ressarcidos aos clientes pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) estão estimados em R$ 46,9 bilhões, sendo R$ 40,6 bilhões referentes ao Master e outros bancos do conglomerado e R$ 6,3 bilhões relacionados ao Will Bank.
Uma investigação independente ainda apura os prejuízos causados ao BRB pelo Master. O Banco Central determinou que a instituição estatal provisione R$ 2,6 bilhões para cobrir perdas com a compra de carteiras de crédito fraudulentas avaliadas em R$ 12,2 bilhões. Até a liquidação do Master, o BRB já havia recuperado cerca de R$ 10 bilhões e ainda avalia a necessidade de aporte adicional.
O Ministério Público de seis estados investiga aplicações de fundos de previdência estaduais e municipais em títulos do Master. Dados do Ministério da Previdência Social indicam que, entre outubro de 2023 e dezembro de 2024, institutos de aposentadoria aplicaram mais de R$ 1,8 bilhão em letras financeiras do banco, sem cobertura do FGC.
Um dos casos envolve o Rioprevidência, fundo de servidores do Rio de Janeiro, que aplicou cerca de R$ 970 milhões nos papéis do Master. Em 23 de janeiro, a Polícia Federal fez operação de busca e apreensão em endereços ligados a executivos da autarquia.
No Amapá, a Amprev investiu R$ 400 milhões em letras financeiras do Master, e o Ministério Público estadual analisa a compatibilidade das aplicações com a política de investimentos do órgão. No Amazonas, o Amazonprev também está sob investigação por possíveis irregularidades nos investimentos.
Diversas empresas privadas e estatais também registraram aplicações no conglomerado financeiro. A Cedae (RJ) adquiriu R$ 220 milhões em letras financeiras do Master; a Emae detém R$ 140 milhões em CDBs emitidos pelo Letsbank; a Oncoclínicas possui R$ 433 milhões em CDBs do Master e busca retomar a participação de 15% de Vorcaro na empresa para compensar perdas; e o fundo XP Private Equity I aplicou R$ 73,5 milhões em CDBs do Master, sem uso de capital próprio da XP Asset Management.
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