comércio exterior

Elogios e críticas no Congresso com acordo UE-Mercosul

Presidente da Câmara, Hugo Motta, e outros parlamentares festejam a cooperação internacional, mas há quem defenda revisar regras

O anúncio do acordo entre o Mercosul e a União Europeia provocou reações imediatas no Congresso Nacional, ontem, com manifestações que vão do entusiasmo à crítica contundente. Enquanto líderes destacam ganhos econômicos e diplomáticos, parlamentares da oposição cobram revisão do texto e maior proteção aos interesses nacionais.

Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), celebrou o entendimento em publicação na rede social X. Para ele, a cooperação internacional é um vetor histórico de prosperidade e redução de conflitos.

Motta afirmou que, em um cenário global marcado pelo avanço do unilateralismo e do protecionismo, o acordo representa um passo relevante para um mundo "mais unido, próspero e justo". Segundo o deputado, o pacto deve abrir oportunidades para produtores brasileiros, gerar empregos, atrair investimentos e fortalecer a inserção do país na economia global.

Na mesma linha, o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), classificou o acordo como uma vitória histórica da diplomacia brasileira. Em avaliação publicada nas redes sociais, o parlamentar apontou o tratado como símbolo da retomada do protagonismo internacional do Brasil e do reconhecimento de sua soberania e potencial econômico.

Guimarães ressaltou a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no processo de articulação, especialmente durante a presidência brasileira do Mercosul, e destacou que o entendimento vai além do comércio, consolidando uma parceria estratégica para o bloco sul-americano. Segundo ele, os efeitos devem se refletir no fortalecimento das exportações, na geração de emprego e renda e na projeção internacional do país.

Houve, porém, críticas. O deputado federal Rodolfo Nogueira (PL-MS), presidente da Comissão de Agricultura da Câmara, questionou a condução das negociações pelo governo federal. Segundo ele, o Brasil perdeu a chance de firmar um acordo de livre-comércio mais amplo e equilibrado.

Nogueira afirmou que o texto final frustra expectativas ao incluir salvaguardas e restrições, além de refletir, na avaliação do parlamentar, uma política externa ideológica e pouco eficaz. Para o deputado, qualquer avanço precisa passar por uma revisão profunda que assegure reciprocidade e defesa clara dos produtores brasileiros, sobretudo em um contexto global de crescente competição e protecionismo.

No Senado, o tom foi de pragmatismo e urgência. O presidente da Comissão de Relações Exteriores, Nelsinho Trad (PSD-MS), afirmou que atuará para que o Congresso confirme o acordo até julho. Como estratégia para acelerar a tramitação, o senador negocia a criação de uma subcomissão destinada a acompanhar os impactos do tratado assim que a mensagem presidencial for enviada ao Legislativo.

"Temos uma janela de oportunidade histórica e não vamos deixar esse trem passar", declarou, ao destacar a necessidade de dar a celeridade demandada pelo setor produtivo.

No governo, também houve reações. Em nota a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, comentou que a iniciativa é um dos movimentos mais relevantes das últimas décadas para o bloco sul-americano.

"Mais acesso a mercados consumidores, mais investimentos, mais integração entre os países e, principalmente, mais produtos disponíveis, maior competição, ajudando a baixar ainda mais a inflação. Vai combinar crescimento econômico, emprego e renda com sustentabilidade, tecnologia e inovação", frisou Tebet.

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, apontou a importância do livre-comércio para o agronegócio brasileiro — que foi, inclusive, um dos principais entraves para o tratado, já que agricultores europeus, especialmente da França, temem a competição com as empresas brasileiras.

"A presença do Brasil e a força da diplomacia do presidente Lula foram fundamentais para isso. Com relação à agropecuária, é muito relevante nas oportunidades para o Mercosul com a ampliação dos nossos negócios", disse Fávaro.

https://www.correiobraziliense.com.br/webstories/2025/04/7121170-canal-do-correio-braziliense-no-whatsapp.html 

 


Mais Lidas