O ganhador do Globo de Ouro 2026 de Melhor Filme de Língua Não-Inglesa, o diretor Kleber Mendonça Filho usou a visibilidade do prêmio para comentar o cenário político brasileiro recente e fazer críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. O cineasta afirmou em Hollywood que o Brasil atravessou, na última década, um período de "guinada drástica à direita", movimento que, em sua avaliação, teria sido superado.
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O reconhecimento internacional veio com O Agente Secreto, longa que aborda temas como repressão política na Ditadura e memória histórica. Para Mendonça Filho, a obra dialoga diretamente com as transformações políticas e sociais vividas pelo país, reforçando a capacidade da arte de interpretar e questionar a realidade.
Em entrevista coletiva após a premiação, o diretor destacou o papel do cinema como espaço de reflexão crítica. “Há cerca de 10 anos, o Brasil sofreu uma guinada bem drástica à direita e esses tempos agora se foram, com o ex-presidente [Jair Bolsonaro] agora preso. Ele foi epicamente irresponsável em não liderar o país e realmente acho que o cinema pode ser uma forma de expressar algumas insatisfações que temos em termos de sociedade”, afirmou.
O Globo de Ouro amplia a projeção do cinema brasileiro no circuito internacional e coloca O Agente Secreto no radar de outras disputas relevantes da temporada, como o Oscar. Segundo o diretor, o momento também é propício para que cineastas usem o audiovisual como ferramenta de posicionamento e expressão.
“Eu gostaria de me dirigir em particular a jovens cineastas americanos, e conheço vários — ainda sou um programador de cinema e vejo muito do que vem dos Estados Unidos”, disse. “Acho que há muita tecnologia para se expressar e esta é uma boa época para se expressar. Jovens cineastas americanos têm muito a falar sobre o que está acontecendo nessa sociedade, é isso que eu gostaria de ver.”
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