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Após transferência, Michelle visita Bolsonaro na Papudinha e agradece à PF

Ex-primeira-dama agradece à PF e leva remédios ao ex-presidente. Pela web, bolsonaristas criticam e esquerda defende transferência

Antes da transferência de Jair Bolsonaro, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ele passou por exame de corpo de delito para poder dar entrada na Papudinha. Dos parentes, apenas a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro foi ao complexo penitenciário, onde chegou por volta das 20h e saiu pelas 20h30, mas sem falar com os jornalistas que acompanhavam as movimentações — levou remédios e itens pessoais. Ela se manifestou pela conta que mantém no Instagram, na qual agradece à Polícia Federal (PF) pelo tempo em que o marido lá esteve preso.

"Continuo confiando e agradecendo a Deus, certa de que tudo acontece no tempo do nosso amado Pai, e não no nosso. Sou grata a todos da PF que, durante o período em que meu amor esteve lá, cuidaram dele com atenção, auxiliando nas medicações e nas refeições. Que Deus os recompense e os abençoe grandemente. Estou a caminho do complexo (da Papudinha) para ver o meu amor", publicou.

Por volta das 21h45, um grupo de 10 bolsonaristas decidiu acampar na alameda que dá acesso ao complexo penitenciário. Os apoiadores começaram a entoar louvores evangélicos e a fazer preces direcionadas a Bolsonaro.

Mas, antes de tudo isso, um imenso tiroteio tomou conta das redes sociais. Enquanto os bolsonaristas elevaram o tom das críticas a Moraes e ao STF, os aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva exultavam com a decisão e a consideraram acertada. Um dos primeiros a se manifestar foi o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ungido pelo pai como pré-candidato à Presidência da República e representante da extrema-direita na corrida eleitoral.

"Se fosse com o ex-presidente Michel Temer, Alexandre de Moraes estaria agindo da mesma forma?", indaga o parlamentar. Ele referia-se ao fato de que Moraes foi ministro da Justiça de Temer, responsável pela sua indsicação ao STF. "Os remédios que Bolsonaro toma para seu atual problema crônico de soluços têm efeitos colaterais, como desequilíbrio e sonolência. Concretamente, já teve uma queda em que bateu com a cabeça. Graças a Deus não foi nada grave, mas poderia ter sido. Poderia, sim, ter sido encontrado morto — sozinho — na cela da Polícia Federal. Espero que, em breve, a lei seja cumprida e Bolsonaro seja transferido para sua casa, o único local onde esse risco de queda pode ser amenizado — enquanto os médicos não solucionam o problema em definitivo", publicou.

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Outro filho, o vereador carioca Carlos Bolsonaro (PL), fez uma longa publicação no X criticando a transferência para a Papudinha. "Transferência de Jair Bolsonaro para a chamada 'Papudinha'. Alexandre de Moraes, suas qualidades como ser humano não merecem ser enumeradas diante de tamanha maldade praticada contra o último presidente do Brasil que jamais descumpriu uma linha da Constituição e também contra os presos do 8 de janeiro. Aliados do PT já praticaram atos muito mais graves e nada lhes aconteceu. Ainda assim, condenar Jair Bolsonaro representa o maior dos absurdos. (...) Condena-se Jair Bolsonaro como líder dos fatos do dia 8 de janeiro, mesmo ele estando fora do país. O que se observa é uma perseguição política escancarada, incompatível com o Estado de Direito. Mais uma condenação injusta", postou.

O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), considerou que a transferência é um "castigo" imposto ao ex-presidente. "Foi abuso de poder. O Brasil está sob um regime de arbítrio judicial. O que vemos não é justiça. É autoritarismo de toga, abuso de poder institucionalizado, a caneta transformada em ferramenta de perseguição", disse.

Na mesma linha foi o deputado Cabo Gilberto (PL-PB), líder da oposição na Câmara. Para ele, a decisão de Moraes "extrapolou" os limites do poder. "Mandar Jair Bolsonaro para o Complexo Penitenciário da Papuda é autoritarismo puro. Quando uma só pessoa acusa, julga e manda prender, o sistema falhou. O STF ultrapassou todos os limites", criticou.

Outra deputada bolsonarista, Bia Kicis (PL-DF), criticou a ida de Bolsonaro para a Papudinha e afirmou que ele deve cumprir a pena pela tentativa de golpe de Estado em casa. "Isso não é justiça", frisou, em um breve comentário nas redes sociais.

Para o deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO), Moraes foi injusto em determinar que Bolsonaro cumpra pena na Papudinha. "Depois de negar o pedido de transferência para a residência, ele dobra a aposta e envia mesmo sabendo das condições de saúde do presidente Bolsonaro", frisou.

Melhores condições

Os aliados do governo defenderam a transferência de Bolsonaro ao complexo penitenciário. Segundo o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), a medida determinada por Moraes proporciona condições ainda mais favoráveis para o cumprimento da pena de 27 anos e três meses de prisão. "Sempre defendemos essa solução, com base no art. 2º, parágrafo único, da Lei de Organizações Criminosas, justamente para assegurar a segregação adequada de quem foi condenado como líder de organização criminosa, sem qualquer improviso ou exceção", observou.

E complementou: "Na Papuda, as condições são ainda mais favoráveis: espaço muito maior, banho de sol livre, possibilidade de fisioterapia com esteira e bicicleta, aumento do tempo de visita de familiares, televisão, geladeira, banho quente e remição de pena pela leitura. Os pleitos da defesa foram deferidos, porém a pena será cumprida no estabelecimento prisional e não em prisão domiciliar. A lei está sendo cumprida, com legalidade, proporcionalidade e autoridade do Estado Democrático de Direito".

A deputada Erika Hilton (PSol-SP) fez uma provocação e disse que a Papudinha "combina ainda mais para um líder de uma organização criminosa que tentou golpe de Estado". "Por mim, Bolsonaro deveria viver as suas famosas palavras: 'Bandido tem que apodrecer na cadeia. Se cadeia é lugar ruim, é só não fazer a besteira que não vai para lá'", lembrou a parlamentar.

A deputada Maria do Rosário (PT-RS), que no passado chegou a ser xingada pelo ex-presidente — foi processado por dizer "que ela não merecia nem ser estuprada por ser feia" —, afirmou que Moraes tomou a decisão mais indicada. "Lugar de golpista, criminoso, genocida, corrupto, misógino e que faz apologia ao ódio e à violência contra mulheres é na cadeia", disse.

 

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