O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou ontem uma reunião com ministros de Estado, do Supremo Tribunal Federal (STF) e de outros órgãos públicos para alinhar o combate ao crime organizado. Segundo o recém-empossado ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, Lula determinou que o enfrentamento às facções seja elevado ao "status de ação de Estado", e não apenas de governo. O ministro argumentou ainda que o "tamanho do problema" justifica a coordenação entre Poderes.
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"Houve uma decisão do presidente da República, compartilhada por todos esses órgãos, de elevar ao status de ação de Estado o combate ao crime organizado. De maneira que a relevância que o crime organizado assumiu neste momento impõe, na visão do presidente e de todos esses atores, a necessidade de uma atuação conjunta", declarou o ministro a jornalistas após o encontro, no Palácio do Planalto. "Percebemos que as ações de governo, por mais competentes e determinadas que sejam, para que alcancem um determinado grau de eficácia, precisam da colaboração desses órgãos de Estado, E, obviamente, nenhum desses órgãos faltará ao Brasil nesse combate", disse ainda.
Participaram do encontro também o vice-presidente Geraldo Alckmin, os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação Social), o vice-presidente do STF, ministro Alexandre de Moraes, o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Passos Rodrigues, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, e o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan.
Lima e Silva foi nomeado na terça-feira por Lula em substituição ao ex-ministro Ricardo Lewandowski, que deixou o cargo por motivos pessoais. Na coletiva, o ministro não detalhou quais ações serão adotadas por sua pasta, mas disse que o fará em uma segunda conversa com a imprensa. Porém, destacou que o objetivo do encontro de manhã foi alinhar o apoio às equipes de combate ao crime, como a Polícia Federal e a Receita Federal. "Em um determinado momento, o Ministério Público precisa entrar, o Judiciário precisa se pronunciar, e ajustar essa sintonia de como isso pode acontecer, como uniformizar esses procedimentos, respeitadas as garantias e respeitada a autonomia de cada um desses órgãos", afirmou o ministro.
O diretor-geral da PF, em breve fala, destacou o combate ao financiamento das organizações criminosas. "Enfrentar o poder econômico e enfrentar o andar de cima do crime organizado, com estratégia, inteligência, planejamento, para que a gente tenha os resultados efetivos perenes de todas as nossas ações",disse Andrei.
Ao empossar Lima e Silva, Lula voltou ao tema e desafiou as organizações criminosas. "Nós vamos mostrar que o Estado brasileiro vai derrotar o crime organizado", declarou o presidente, "para que a gente possa, definitivamente, dizer que o Estado não pode ser derrotado por nenhuma organização criminosa, por nenhuma organização empresarial, por nenhuma organização religiosa. Nada pode derrotar o Estado, a não ser a incompetência e a incapacidade dos governantes e das instituições. E nós temos instituições sólidas", afirmou o chefe do Executivo.
Ele citou as últimas operações da Polícia Federal com foco no dinheiro movimentado pelo crime e nos financiadores das atividades ilegais como exemplo de boa atuação do Estado. "Nós nunca estivemos tão perto e nunca tivemos tanta oportunidade, tanta chance de chegar ao andar de cima da corrupção e do crime organizado nesse país como agora."
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Após a cerimônia, Lima e Silva informou que vai conversar com todos os secretários da pasta antes de promover mudanças na equipe. Garantiu, contudo, que o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Passos Rodrigues, e o diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Fernando Oliveira, vão permanecer nos cargos. Disse ainda que vai manter o diálogo no Congresso pela aprovação da PEC da Segurança, inclusive com parlamentares e governadores de oposição.
"O presidente sempre pronunciou que ele não faz distinção em relação a essas políticas públicas. O Estado brasileiro também tem que ter coerência e uma atitude cooperativa com os estados federados, independentemente de cor partidária ou qualquer outra coisa", disse o ministro.
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