O ex-presidente do Banco de Brasília Paulo Henrique Costa disse, em depoimento à Polícia Federal, que “não tinha clareza” sobre o suposto esquema de fraude do Banco Master. Segundo ele, os arquivos recebidos pelo BRB indicavam a ocorrência regular de averbações e débitos mensais e que não tinha ciência de que o caso configurasse, de fato, uma fraude financeira. A oitiva ocorreu em 30 de dezembro e teve sigilo derrubado nessa quinta-feira (29/1) pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).
"Até hoje, a gente não tem uma evidência concreta de que essas carteiras tinham problema ou, como é dito, são carteiras podres. Até hoje a gente não tem essa evidência", disse Paulo Henrique à delegada Janaína Palazzo.
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“A gente não tem clareza até hoje de que isso foi uma fraude. O que a gente percebeu foi uma mudança de padrão documental e de originação do crédito”, acrescentou.
A investigação da PF apura suspeitas de irregularidades na tentativa de compra do Banco Master pelo BRB. Segundo a corporação, a instituição de Daniel Vorcaro não teria recursos suficientes para honrar títulos com vencimento em 2025, teria adquirido créditos da empresa Tirreno sem realizar pagamento e, em seguida, revendido esses ativos ao Banco de Brasília, que desembolsou cerca de R$ 12 bilhões.
Versões diferentes
O dono do Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do Banco de Brasília Paulo Henrique Costa apresentaram versões diferentes sobre a origem das carteiras de crédito vendidas ao banco público do Distrito Federal.
O banqueiro afirmou que o BRB tinha conhecimento de que parte dos créditos não havia sido originada pelo Master, mas, sim, por outra empresa, a Tirreno, de forma genérica. Os papéis se revelaram desvalorizados em seguida.
“Chegamos a conversar por algumas vezes que a gente começaria um novo formato de comercialização, que seria de terceiros, carteiras originadas por terceiros, e não mais originação própria, especificamente”, disse.
A delegada, então, perguntou se Vorcaro avisou que seriam carteiras originadas por terceiros. Ele confirmou. “Sim, eu não me lembro a data específica, mas a gente chegou a conversar em algum momento que a gente teria essa comercialização desse novo tipo de carteira.”
“O BRB sabia que aqueles créditos não eram do Master. Isso foi informado desde o início”, declarou Vorcaro.
Paulo Henrique Costa, no entanto, negou a informação. Ele disse que entendeu que os ativos tinham origem no próprio Master e que depois surgiram dúvidas sobre a origem das carteiras. “Em nenhum momento me foi dito que os créditos não eram do Master. Essa informação só apareceu depois, quando começaram os problemas”, disse.
