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Banco Central ajudará comissão do Senado a investigar caso Master

Presidente da CAE, Renan Calheiros se reúne com Gabriel Galípolo e obtém o compromisso de que parlamentares terão acesso a informações — inclusive as sigilosas — para mapear as conexões do banco de Daniel Vorcaro com os Três Poderes

Presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL) -  (crédito: Andressa Anholete/Agência Senado)
Presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL) - (crédito: Andressa Anholete/Agência Senado)

Depois da reunião, ontem, com o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), garantiu que a autoridade monetária vai colaborar com informações para as investigações sobre o Banco Master. Para isso, a CAE utilizará os instrumentos previstos na Lei Complementar 105/01, que trata do sigilo bancário, para obter os dados necessários.

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"Requisitaremos todas as informações das investigações que estão sendo feitas sobre o Master, inclusive as sigilosas. Informações que ele (Galípolo) vai disponibilizar e agilizar. Falei que a única coisa que nos ajudará a responder o que a sociedade está cobrando é uma linha do tempo. Vamos saber quem comunicou a quem, quem informou quem e a extensão dos crimes cometidos pelos diretores do Master", explicou Renan, depois da reunião com o presidente do BC, em que esteve acompanhado dos senadores Izalci (PL-DF) e Fernando Farias (MDB-AL).

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Segundo o presidente da CAE, se necessário, a comissão solicitará ao plenário do Senado autorização para quebras de sigilos. Mas garantiu que o espírito é de colaboração. "Galípolo foi muito solícito porque se convenceu de que o papel da comissão é fortalecer o Banco Central, é apoiar a liquidação do Master e investigar para responsabilizar essas pessoas. Nosso propósito é lancetar o tumor, que não pode continuar intacto. Se continuar, vai criar metástase", afirmou.

Segundo o senador, a comissão pode receber assessoramento técnico do próprio BC. "A sociedade cobra respostas, que devem ser dadas pelo Banco Central, pelo Supremo Tribunal Federal, pela Polícia Federal e pelo Tribunal de Contas (da União)", observou.

O senador voltou a defender que mudanças legislativas do perímetro regulatório do BC só se deem após o avanço das investigações. Indagado se convidará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para explicar à comissão supostas reuniões com o dono do Master, Daniel Vorcaro, Renan disse que espera colaboração.

"A imprensa noticiou que levaram três vezes (o ex-dono do Master, Daniel) Vorcaro ao presidente. Na oportunidade dessas visitas, estavam lá o presidente do Banco Central, o ministro da Fazenda (Fernando Haddad), o chefe do Gabinete Civil (Rui Costa), o líder do governo (Jaques Wagner) e o ex-ministro (da Fazenda Guido) Mantega. De todos, só o Mantega tinha legitimidade, porque era empregado do Master", alfinetou.

Supremo e PF

Outras reuniões relacionadas à investigação estão previstas para os próximos dias. Renan esclareceu que a comissão pretende ampliar o diálogo com o Judiciário e com a Polícia Federal. "Só hoje (ontem), instalamos a comissão do Master e aprovamos um plano de trabalho. Na próxima semana, vamos visitar o presidente do Supremo (Tribunal Federal), ministro (Edson) Fachin, e também o diretor da PF (Andrei Rodrigues)", adiantou. O senador já esteve com o presidente do TCU, Vital do Rêgo Filho.

Ele assegurou que a comissão não disputará espaço com uma eventual comissão parlamentar de inquérito, seja mista ou de uma das duas Casas do Congresso. "Não haverá competição. Assinei requerimentos e defendo a instalação. O trabalho da CAE será complementar", frisou.

A oposição protocolou, na terça-feira, o pedido de uma CPMI, mas isso não quer dizer que será instalada pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP). Na Câmara, o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) indicou que eventuais comissões de inquérito sobre o Master entrarão na fila devido aos vários requerimentos já apresentados.

Em outra frente, a CPMI do INSS também mira Vorcaro e quer ouvi-lo sobre empréstimos consignados concedidos pelo Master. Ele deverá ser ouvido pelo colegiado depois do Carnaval.

 

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postado em 05/02/2026 03:55
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