
O senador Izalci Lucas (PL-DF) afirmou ao Correio que decisões recentes teriam “comprometido ainda mais a imagem do Supremo Tribunal Federal”, que, segundo ele, já estaria desgastada. “Passou de todos os limites”, declarou.
Para o parlamentar, a mudança na relatoria de processos ligados ao caso do Banco Master abre espaço para uma inflexão na condução das investigações. A relatoria, que estava com o ministro Dias Toffoli, passou ao ministro André Mendonça, o que, na avaliação de Izalci, pode representar uma nova postura em temas considerados sensíveis.
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O senador disse acreditar que Mendonça deverá atuar com competência, imparcialidade e independência, tanto nas apurações relacionadas ao Banco Master quanto em outros desdobramentos, incluindo a CPMI do INSS. Segundo ele, há expectativa de que o ministro autorize a divulgação de documentos sigilosos vinculados às investigações.
A mudança repercutiu entre parlamentares da oposição. Em publicação nas redes sociais, o líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), classificou a troca de relatoria como “um divisor”. Ele criticou o que chamou de “decisões imprevisíveis” e de “processos que parecem ter lado”.
“Agora é hora de mostrar que a Constituição não é seletiva, que o devido processo legal vale para todos e que o Supremo serve à lei, não a interesses. O Brasil precisa voltar a confiar nas instituições. E confiança nasce da coerência”, afirmou o deputado.
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Nos bastidores, a expectativa nas primeiras horas após o sorteio do nome de Mendonça é de que a postura adotada em outros inquéritos seja mantida no caso Master. Há avaliações de que o ministro poderá aprofundar investigações, inclusive buscando instrumentos como acordos de colaboração premiada, e não se descarta a possibilidade de novas medidas cautelares.
Interlocutores também apontam que Mendonça não deverá poupar a análise de eventuais vínculos envolvendo os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, além de familiares, com personagens centrais das investigações. Ao comunicar a troca de relatoria, contudo, ministros do Supremo — incluindo Mendonça — afirmaram não caber suspeição de Toffoli e reconheceram a plena validade dos atos já praticados no processo.

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Mariana Morais
Mariana Morais