
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, participou, nesta quarta-feira (25/2), do programa Bom Dia, Ministra, para detalhar a agenda de ações previstas para o mês de março em alusão ao Dia Internacional das Mulheres. A data, celebrada em 8 de março e oficializada pela Organização das Nações Unidas (ONU), é marcada mundialmente por mobilizações em defesa da igualdade de gênero e pelo reconhecimento das conquistas sociais, políticas, econômicas e culturais das mulheres.
Durante a entrevista, a ministra apresentou o calendário de atividades organizadas pelo Ministério das Mulheres, que inclui inaugurações de equipamentos públicos, lançamento de campanhas e articulação com estados e municípios. A primeira atividade alusiva à data está prevista para ocorrer em 1º de março, na cidade de São Paulo, dando início a uma série de eventos que se estenderão ao longo de todo o mês.
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"Nós temos o dia 8, que é o Dia Internacional das Mulheres, mas nós já adotamos o mês de março, a partir do dia 1º até o dia 31 de março. Nós teremos pelo Brasil afora, todos os dias, algum ato, alguma atividade em relação às mulheres. E nós começaremos agora, no domingo, dia 1º de março, com um ato político muito importante em memória da Tainara (Souza Santos), aquela mulher que foi arrastada, que teve as suas pernas mutiladas e que depois veio a falecer (em dezembro do ano passado)”, disse a ministra.
Além disso, entre as iniciativas anunciadas está a inauguração de uma nova unidade da Casa da Mulher Brasileira, equipamento que reúne, em um único espaço, serviços especializados de acolhimento, atendimento psicossocial, apoio jurídico e encaminhamento para a rede de proteção. Também está prevista a abertura de novas Cuidotecas, estruturas voltadas ao cuidado infantil que funcionam dentro de universidades e institutos federais, permitindo que mães e responsáveis possam estudar com maior segurança e tranquilidade.
Plano Nacional de Cuidados
Um dos eixos centrais da entrevista foi o Plano Nacional de Cuidados, considerado uma das principais estratégias estruturantes da pasta. Com previsão de investimentos de R$ 25 bilhões até 2027, o plano tem como objetivo enfrentar a sobrecarga histórica de trabalho doméstico e de cuidado que recai majoritariamente sobre as mulheres, impactando diretamente sua autonomia financeira e permanência no mercado de trabalho e na educação.
No âmbito do plano, o Ministério pretende inaugurar sete Cuidotecas ainda no primeiro semestre deste ano. Esses espaços oferecem atendimento a crianças enquanto mães, pais ou responsáveis participam de atividades acadêmicas, contribuindo para reduzir a evasão escolar e ampliar as oportunidades de qualificação profissional.
A proposta dialoga com a agenda internacional de políticas de cuidado e reconhece o cuidado como direito social e responsabilidade compartilhada entre Estado, famílias e sociedade. Segundo o ministério, a iniciativa busca não apenas apoiar mulheres estudantes, mas também estruturar uma política pública permanente voltada à reorganização do tempo e à valorização do trabalho de cuidado.
Enfrentamento aos feminicídios
Outro ponto destacado por Márcia Lopes foi o Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, estratégia que reúne 11 ministérios, além da adesão de estados e do Distrito Federal. O pacto articula ações de prevenção, intervenção precoce e reparação, com foco na proteção de mulheres e meninas em situação de risco.
Desde a implementação da política, foram inaugurados 19 novos serviços especializados de atendimento: quatro Casas da Mulher Brasileira e 15 Centros de Referência da Mulher Brasileira. Esses equipamentos oferecem acolhimento humanizado, acompanhamento psicossocial e jurídico, além de encaminhamento para serviços de saúde, assistência social e segurança pública.
A estratégia também prevê campanhas educativas, formação de profissionais da rede de atendimento e integração de dados para aprimorar o monitoramento de casos de violência de gênero. O enfrentamento à misoginia e à violência doméstica permanece como prioridade da pasta, especialmente diante dos índices persistentes de feminicídio registrados no país.
Ao apresentar a programação de março, a ministra reforçou que o Dia Internacional das Mulheres vai além de celebrações simbólicas. A data representa um momento de mobilização política e social para consolidar políticas públicas estruturantes, fortalecer a rede de proteção e ampliar direitos.
A expectativa do ministério é que as ações previstas para o mês ampliem o debate público sobre igualdade de gênero, autonomia econômica e enfrentamento à violência, ao mesmo tempo em que consolidem iniciativas já em curso e ampliem a presença do Estado nos territórios.

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