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Master: senadores põem foco na atuação da CVM

Integrantes de grupo de trabalho querem entender se houve falha da autarquia na fiscalização sobre a saúde financeira do banco de Daniel Vorcaro. Parlamentares também vão à PF e ao STF tentar fechar acordos para obtenção de informações sigilosas

O grupo de trabalho criado na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado para acompanhar as investigações do Banco Master definiu como prioridade esmiuçar a atuação da Comissão de Valores Mobiliários, autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda e responsável pela fiscalização dos fundos de investimento envolvidos nas operações sob suspeita. Isso porque a CVM tem como atribuição principal regular e controlar o mercado de capitais, além de proteger investidores contra fraudes. Seria o primeiro organismo a alertar para a saúde financeira de uma instituição.

"Cabia à CVM supervisionar os fundos envolvidos no caso, e é fundamental entender como o órgão atuou para orientar os próximos passos das investigações", afirmou o presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL). Para ele, a compreensão da atuação da autarquia é essencial para direcionar os trabalhos do grupo.

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O colegiado também aprovou, ontem, uma série de convites para depoimentos. Na lista, estão o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo; o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino Santos; Otto Lobo, presidente interino da CVM; Daniel Vorcaro, ex-dono do Master; e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília. Como são convites, eles não são obrigados a comparecer.

A colocação da CVM no foco da investigação sobre o Master vem no momento em que a CAE precisa analisar duas indicações feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a diretoria do órgão — entre elas, a de Otto Lobo.

Segundo o vice-presidente da CAE, senador Laércio Oliveira (PP-SE), o foco na CVM não quer dizer que o grupo de trabalho atropelará a competência dos órgãos de investigação. "Trata-se de um caso de polícia. A condução das apurações deve permanecer sob responsabilidade da Polícia Federal (PF), do Ministério Público e do Supremo Tribunal Federal, evitando sobreposição de atribuições", explicou.

Integrante do grupo de trabalho, o senador Esperidião Amin (PP-SC) defendeu que o colegiado acompanhe de perto os desdobramentos dos inquéritos conduzidos pela PF em diferentes estados. "É importante que o Senado tenha uma visão completa sobre as apurações e eventuais ramificações das investigações envolvendo o Banco Master", observou.

Na sequência das investigações sobre a atuação da CVM no caso Master, o grupo de trabalho pretende avançar no acesso a informações sigilosas. A estratégia é apresentar solicitações diretamente às autoridades, evitando a necessidade de deliberação do plenário do Senado.

Carbono Oculto

Por conta disso, integrantes do grupo de trabalho se reúnem hoje  com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e com o presidente do STF, Edson Fachin. O objetivo é solicitar acesso a dados relacionados às operações financeiras anteriores à abertura do inquérito, incluindo os da Carbono Oculto — que em agosto de 2025 levantou um esquema de lavagem de dinheiro, pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), por fintechs e fundos de investimento administrados pelo Master e pela Reag Investimentos, também liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central. A expectativa é de que as reuniões de hoje permitam esclarecer o alcance das investigações já em curso e o grau de compartilhamento de informações possível com o Senado.

Na semana passada, o colegiado se reuniu com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, e com o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo. Segundo Renan, houve sinalizações positivas quanto ao compartilhamento de informações.

Em paralelo às deliberações do grupo de trabalho da CAE, Andrei Rodrigues afirmou, ontem, na divulgação de resultados de 2025 da PF, que o avanço das investigações sobre o Master foi possível graças à "coragem" de Gabriel Galípolo, por identificar e encaminhar informações fundamentais à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Polícia Federal. "A parceria com o Banco Central nos permitiu desvendar aquilo que talvez seja o maior crime de que envolve o sistema financeiro nacional. Foi possível graças à coragem do presidente Galípolo", frisou.

*Estagiária sob a supervisão de Fabio Grecchi

 

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