CASO MASTER

Semana começa com reunião de Mendonça com a PF

O encontro terá como objetivo discutir as informações já apresentadas sobre as investigações e definição de novos passos

O caso do escândalo do Banco Master, liquidado em novembro de 2025 pelo Banco Central, promete vários desdobramentos ao longo desta semana, com investigações, tanto no Supremo Tribunal Federal (STF) quanto no Senado Federal.

O ministro do STF André Mendonça convocou para hoje nova reunião com delegados da Polícia Federal (PF) sobre o andamento das apurações das suspeitas de irregularidades envolvendo o banco e o seu controlador, Daniel Vorcaro.

Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular

O encontro tem como objetivo discutir as informações já apresentadas pela PF sobre o andamento da investigação e definir os próximos passos do caso. Devem participar investigadores da Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção (Dicor), responsável pelo inquérito.

Na última sexta-feira, o ministro André Mendonça, autorizou a Polícia Federal a retomar as diligências e organizar o trabalho dos peritos para a extração de dados de aparelhos apreendidos. Mendonça ainda derrubou o sigilo de Vorcaro para os membros da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Conforme repassado pela PF ao ministro, ainda é necessário realizar a perícia e a análise de cerca de 100 aparelhos telefônicos. Após essa etapa, os próximos passos devem envolver a colheita de depoimentos de investigados que ainda não foram ouvidos no inquérito que apura suspeitas de irregularidades na venda do Master ao Banco de Brasília (BRB), anunciada no fim de março de 2025. A transação, contudo, foi vetada em setembro do mesmo ano pelo Banco Central.

As investigações seguem divididas em duas linhas centrais. A primeira é a Operação Compliance Zero, que examina a suspeita de um esquema de fraudes estruturado pelo Master na venda de uma carteira de R$ 12,2 bilhões de créditos podres ao Banco de Brasília (BRB). A segunda é a Operação Sem Desconto, voltada à investigação de descontos indevidos em benefícios previdenciários e outras irregularidades que teriam causado prejuízos ao INSS.

A PF afirma que a expectativa é de que o primeiro inquérito seja finalizado nas próximas semanas, pois já foram abertas diversas frentes de apuração, algumas ainda em estágio inicial, como os crimes financeiros envolvendo fundos de investimento e o uso de influenciadores para ataques a autoridades públicas.

Com base no relatório produzido, o ministro decidirá se o inquérito permanece sob a competência do STF ou se deve ser remetido à primeira instância da Justiça. Também serão considerados, nessa análise, os dados extraídos do telefone celular de Vorcaro.

Esse é o segundo encontro de Mendonça com representantes da PF sobre o caso do Banco Master. Em 13 de fevereiro, logo após assumir a relatoria — após a saída do ministro Dias Toffoli — o magistrado conversou por cerca de duas horas com integrantes do gabinete e delegados.

Sigilo a Toffoli

Em meio às reuniões sobre o caso, o presidente do STF, Luiz Edson Fachin, anulou e remeteu ao arquivo, no sábado, a ação que questionava a atuação do ministro Dias Toffoli como relator das investigações sobre as fraudes no Banco Master na Corte.

O arquivamento da chamada arguição de suspeição se deu por "perda de objeto", já que Toffoli deixou a relatoria do caso, que foi redistribuído para o ministro André Mendonça. A medida de Faquin, que é relator do processo, é definitiva e não cabe recurso.

Toffoli renunciou a relatoria do caso após indicações encaminhadas pela Polícia Federal diretamente a Fachin sobre supostos negócios mantidos com o grupo privado investigado, apontado como responsável por fraude bilionária no sistema financeiro.

Ao anular e arquivar a apuração, Fachin formalizou entendimento construído internamente na Corte em reunião realizada na véspera do carnaval. Por unanimidade, conforme registrado em nota pública, os ministros decidiram rejeitar a arguição de suspeição apresentada pela PF e, ao mesmo tempo, reconheceram a plena validade dos atos praticados por Toffoli enquanto esteve à frente da relatoria do caso Master.

Entre os desdobramentos da decisão, dois se destacam. O primeiro é que, na prática, os 10 ministros passam a dividir a responsabilidade pela condução do processo que apura a fraude bilionária — supostamente viabilizada por uma rede de apoio político construída pelos empresários do grupo Master no governo, no Congresso e no Judiciário. O segundo é a manutenção de Toffoli no julgamento: embora tenha deixado a relatoria sob suspeita de possível conflito de interesses, ele permanece com direito a voto no caso.

Vorcaro na CAE

Em outra frente, o banqueiro Daniel Vorcaro é aguardado para prestar depoimento na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal.

André Mendonça decidiu na última sexta-feira desobrigar Vorcaro de comparecer tanto à CAE quanto à CPMI do INSS, que previa o depoimento hoje. O empresário optou por não comparecer após a decisão do relator.

Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular?

O cancelamento da ida do banqueiro, no entanto, não implicará prejuízos às investigações em curso, conforme declaração do relator do colegiado, o deputado federal Alfredo Gaspar (União Brasil-AL). Segundo ele, o grupo recuperou o material obtido com a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Vorcaro, que haviam sido retirados da comissão em dezembro do ano passado pelo então relator do caso no STF, ministro Dias Toffoli, e posteriormente restabelecidos por Mendonça.

Gaspar também comentou a ausência do banqueiro. "Ele (Vorcaro), como tem muita coisa a explicar para a sociedade, evidentemente viu essa brecha e optou por não comparecer", afirmou.

 


Mais Lidas