
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou nesta quarta-feira (4/3) que os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) priorizem o combate à fome no mundo em vez de ampliar os investimentos militares. A declaração foi feita durante cerimônia de abertura da 39ª Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para a América Latina e o Caribe, realizada no Palácio do Itamaraty, em Brasília.
Sem citar diretamente as tensões envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel, o presidente criticou a destinação de recursos globais para conflitos armados. Segundo Lula, os cerca de US$ 2,7 trilhões gastos em guerras no último ano poderiam ter impacto significativo no combate à fome. Ele afirmou que, se esse valor fosse dividido entre as 630 milhões de pessoas que passam fome no planeta, cada uma receberia aproximadamente US$ 4.285. “Não precisaria ter fome no mundo se houvesse o bom senso dos governantes do mundo”, declarou.
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Durante o discurso, Lula sugeriu que os líderes de França, Reino Unido, Rússia, China e Estados Unidos, integrantes permanentes do Conselho de Segurança da ONU, realizem uma teleconferência para discutir medidas concretas contra a fome global. Segundo ele, a reunião poderia ocorrer de forma virtual, sem necessidade de deslocamentos ou riscos de segurança. “A ONU está cedendo ao fatalismo dos senhores das guerras e não tem espaço para os senhores da paz”, afirmou.
O presidente também criticou o que classificou como indiferença internacional diante da fome. De acordo com Lula, o problema ainda recebe pouca atenção da comunidade global. Ele disse ainda que fica sensibilizado ao perceber que a fome “mexe muito pouco com o coração dos seres humanos do mundo”.
O chefe do Executivo também defendeu que os países debatam de forma mais transparente o quanto destinam para políticas sociais e de combate à pobreza em comparação aos investimentos em armamentos. Segundo ele, é necessário decidir se os recursos públicos serão usados para ampliar arsenais militares ou para garantir segurança alimentar.
“Se é a construção de mais armas, cada vez mais sofisticadas e cada vez mais caras, ou o aumento da distribuição de alimentos ao povo”, afirmou.
Ao fim do discurso, o presidente fez um apelo específico aos países da América Latina e do Caribe. Lula descreveu a região como uma área rica em recursos naturais e com capacidade para produzir alimentos em grande escala, mas que, segundo ele, muitas vezes acaba sendo explorada para fins ligados à produção de armamentos.

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