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Ex-presidente da Reag admite ligação com Master, mas não com o PCC

À CPI do Crime Organizado, ex-dirigente minimiza relação da gestora com o banco, classificada por ele como "normal", e nega vínculos da administradora com a facção. Comissão aprova quebra de sigilos bancário e fiscal de Zettel, cunhado de Vorcaro

Mansur sustentou que a Reag foi alvo de punições por seu grande porte e por atuar de forma independente no mercado financeiro -  (crédito: Geraldo Magela/Agência Senado)
Mansur sustentou que a Reag foi alvo de punições por seu grande porte e por atuar de forma independente no mercado financeiro - (crédito: Geraldo Magela/Agência Senado)

Ex-presidente do Conselho de Administração da Reag Investimentos, João Carlos Mansur afirmou, na CPI do Crime Organizado, no Senado, que o Banco Master era cliente da gestora de recursos, mas frisou que a relação era "normal". O executivo ainda negou vínculo da empresa com a facção Primeiro Comando da Capital (PCC). A Reag foi alvo das operações Carbono Oculto e Compliance Zero, da Polícia Federal, que apuram suspeitas de infiltração do crime organizado no sistema financeiro e fraudes no Master, respectivamente.

"O Banco Master era um dos clientes, como outros bancos, como outras instituições financeiras e como outras empresas de mercado, um cliente como o senhor, como eu, como o nosso advogado. Então, normal", ressaltou, nas comedidas declarações que deu aos senadores, amparado por uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que assegurou ao executivo o direito de ficar em silêncio na CPI.

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Mansur sustentou que Reag foi alvo de punições por seu grande porte e por atuar de forma independente no mercado financeiro. Segundo ele, até agosto do ano passado, a gestora contava com cerca de 800 funcionários e administrava mais de 700 fundos. Sempre fomos auditados por empresas internacionais. Eram 12 pessoas no nosso departamento de compliance. A gente é uma companhia aberta, presta regularmente informações ao mercado", destacou. 

O depoente refutou, porém, vínculo da empresa com o PCC. "Trabalhamos de forma muito diligente, muito consciente. Infelizmente, passou um rolo compressor", lamentou. "Não temos nenhuma ligação (com a facção). Como o nosso advogado, o nosso patrono acabou de colocar, no procedimento da Carbono Oculto, em 15 mil páginas, não existe nenhuma menção à associação com o PCC ou com o crime organizado", acrescentou. Mansur, no entanto, recusou-se a responder a outras perguntas dos senadores. 

Na sessão, os senadores aprovaram a convocação de dois servidores do Banco Central, suspensos das funções por suposto envolvimento no escândalo do Master: Paulo Sérgio Neves de Souza, que ocupou a diretoria de fiscalização da instituição, e Bellini Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária.  

O colegiado também aprovou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do empresário Fabiano Campos Zettel, cunhado do dono do Master, Daniel Vorcaro — ambos estão presos. 

Convocações

Outros nomes ligados às operações investigadas também foram chamados para depor. Entre eles estão o empresário Vladimir Timerman, fundador da gestora Esh Capital; Leonardo Augusto Furtado Palhares, administrador da Varajo Consultoria Empresarial; Ana Claudia Queiroz de Paiva, sócia da Super Empreendimentos e Participações; e Marilson Roseno da Silva, escrivão aposentado da PF.

Os parlamentares aprovaram, ainda, um requerimento que pede ao ministro André Mendonça, do STF, o envio de informações e provas já reunidas em investigações do Master. A CPI também solicitou acesso a documentos encaminhados pela Polícia Federal sobre a morte de Luiz Philippi Machado de Moraes Mourão, conhecido como "Sicário" de Vorcaro. Mourão cometeu suicídio enquanto estava detido na carceragem da Polícia Federal em Minas Gerais, na semana passada.

 

 

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postado em 12/03/2026 03:55
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