Caso Master

CPI recorre ao STF para restabelecer quebra de sigilo de fundo ligado a Toffoli

Comissão contesta decisão de Gilmar Mendes que anulou medida e defende necessidade de aprofundar investigação financeira

O fundo Arleen adquiriu participação em resort ligado ao ministro Dias Toffoli, o que motivou a apuração do colegiado -  (crédito: LUIZ SILVEIRA / STF)
O fundo Arleen adquiriu participação em resort ligado ao ministro Dias Toffoli, o que motivou a apuração do colegiado - (crédito: LUIZ SILVEIRA / STF)

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado recorreu, nesta terça-feira (24/3), ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão do ministro Gilmar Mendes que anulou a quebra de sigilo do fundo Arleen. O fundo adquiriu participação em empreendimento ligado ao ministro Dias Toffoli, o que motivou a apuração do colegiado.

A quebra de sigilo havia sido aprovada pela CPI na última quarta-feira (18), a partir de requerimento apresentado pelo senador Sergio Moro (União Brasil-PR). O pedido previa o acesso a dados financeiros no período entre fevereiro de 2021 e janeiro de 2026.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

Ao suspender a medida no dia seguinte, Mendes argumentou que a adoção desse tipo de procedimento exige fundamentação rigorosa, especialmente por envolver direitos fundamentais. Segundo o ministro, enquanto o tema não for analisado pelo plenário do STF, a quebra de sigilo deve ser tratada como medida excepcional, não podendo ser considerada ato ordinário de investigação.

No recurso, que tem 35 páginas, a CPI sustenta que a escolha do fundo Arleen não foi aleatória, mas baseada em reportagens investigativas e em elementos já reunidos pela comissão. De acordo com o documento, há indícios de que o fundo integra uma estrutura financeira possivelmente utilizada para movimentar e ocultar recursos ilícitos.

Os parlamentares afirmam que a apuração busca rastrear a origem, o fluxo e o destino dos valores movimentados. Dados públicos indicam que o fundo passou a integrar a sociedade do empreendimento em setembro de 2021, após adquirir participação de outra empresa por cerca de R$ 20 milhões, sendo posteriormente vinculado a estruturas empresariais relacionadas a investigados.

A CPI também rebate os fundamentos da decisão de Gilmar e argumenta que possui respaldo em precedentes do próprio STF para determinar a quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático. Segundo o colegiado, a medida é necessária para aprofundar as investigações sobre possíveis conexões entre agentes privados e estruturas sob suspeita.

  • Google Discover Icon
postado em 24/03/2026 11:33 / atualizado em 24/03/2026 11:34
x