
O livro Ecos de uma Jornada, organizado pelo jornalista e membro da Academia Pernambucana de Letras (APL) Angelo Castelo Branco, percorre a trajetória de José Jorge de Vasconcelos Lima, pernambucano que acumula 50 anos de vida pública. A obra foi lançada, esta semana, em Brasília, cidade onde o personagem viveu 32 anos, dedicados, ininterruptamente, à atuação política, exercendo cargos de deputado federal, senador, ministro de Estado e ministro do Tribunal de Contas da União (TCU).
A narrativa biográfica detalha uma carreira iniciada na área técnica e consolidada na política partidária. O ministro aposentado se formou em engenharia em 1967 pela Escola de Engenharia de Pernambuco e se especializou em estatística.
Logo após a graduação, ele chegou a acumular três empregos simultâneos, dividindo-se entre as salas de aula da Universidade Federal e da Católica e o planejamento governamental. Sobre a obra, José Jorge confessa, com modéstia, que nunca teve a intenção de escrever um livro. "Eu sou a favor de que biografia deve ser escrita depois que o cara morra, porque aí não dá mais para ele errar", brinca, em entrevista ao Correio.
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Vasconcelos foi secretário de Educação com apenas 30 anos e secretário de Habitação em Pernambuco, somando oito anos seguidos no primeiro escalão estadual. Essa base executiva moldou o perfil que ele levaria para a capital federal.
Alguns anos depois, após recomendações de amigos próximos e colegas, decidiu se candidatar ao Congresso Nacional, cumprindo quatro mandatos como deputado e oito anos como senador.
"Não é que eu nasci querendo ser deputado, eu nunca quis ser, mas apareceu a oportunidade", recorda o ministro sobre a guinada em sua trajetória, impulsionada pelo convite de Marco Maciel — vice-presidente nos governos de Fernando Henrique Cardoso — para renovar os quadros políticos de seu estado.
No Legislativo, José Jorge ganhou destaque pela neutralidade ao relatar temas complexos como a Reforma do Judiciário e o primeiro Plano Nacional de Educação. Sua atuação era pautada por um pragmatismo técnico no ambiente político, o que o levou ao comando do Ministério de Minas e Energia durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.
Lá, geriu o período de racionamento energético conhecido como "apagão", um dos momentos mais críticos da infraestrutura nacional, enfrentando a crise com a mesma serenidade que aplicava aos cálculos estatísticos de sua formação.
Ao se despedir da vida pública, em 2015, após seis anos como ministro do Tribunal de Contas da União, José Jorge retornou às suas raízes em Recife, mas sem se desconectar do debate nacional. Para ele, o legado mais valioso não está nos títulos, mas na retidão da caminhada.
"Em política é importante você ficar muito tempo sem 'enrolada'. Eu acho que todo mundo deve participar, porque a política só vai melhorar se as pessoas estiverem presentes. Se os jovens não participarem, a tendência não é melhorar, é piorar", comentou.
O lançamento
O local escolhido para o lançamento do livro foi a sede do TCU, onde houve uma cerimônia concorrida, com a presença de cinco dos nove ministros. Outras personalidades do meio político e jurídico prestigiaram o evento, como o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, e vários parlamentares. Entre os políticos estavam o senador pernambucano Fernando Dueire.
Em seu discurso, o autor, Angelo Castelo Branco, pontuou que o resgate dessa memória é um tributo a uma geração que priorizou o interesse do país e conduziu a transição para a redemocratização com diálogo e maturidade.
Castelo Branco destacou o papel fundamental de José Jorge ao lado de figuras como Aureliano Chaves e Marco Maciel, ressaltando que a "digital das tradições republicanas de Pernambuco" foi o norte dessa linhagem política. Castelo Branco enfatizou que o grupo foi responsável pela modernização administrativa do Estado, introduzindo tecnologias que encurtaram a distância entre o cidadão e o serviço público.
O jornalista também apontou que o grupo político ao qual pertencia José Jorge teve relevância histórica, com a responsabilidade de conduzir a transição do regime militar para a redemocratização. Além de Marco Maciel, o jornalista citou Aureliano Chaves, José Sarney, Jorge Bornhausen, Guilherme Palmeira e Ulysses Guimarães, com especial destaque para o papel exercido por pernambucanos que colocaram o estado em evidência na história política deaquele momento.
Em Recife, o livro foi lançado no último dia 17, na sede da Academia Pernambucana de Letras.

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