Congresso

"A presença de mulheres trans no poder incomoda", diz Erika Hilton

Deputada diz que presença de mulheres trans em espaços de poder simboliza ruptura com desigualdades históricas

Erika Hilton assumiu em março a Comissão da Mulher. Deputada é a primeira trans a comandar o colegiado -  (crédito: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)
Erika Hilton assumiu em março a Comissão da Mulher. Deputada é a primeira trans a comandar o colegiado - (crédito: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)

A deputada Erika Hilton (PSol-SP) afirmou que a ampliação da presença de mulheres — incluindo mulheres trans — em espaços de poder ainda enfrenta resistência dentro do Parlamento e classificou como preconceituosas as críticas à sua atuação no comando da Comissão da Mulher na Câmara dos Deputados. Segundo ela, o debate sobre representatividade tem sido atravessado por tentativas de deslegitimação.

“O que vemos é o discurso biológico sendo usado para encobrir ódio, preconceito e discriminação”, declarou nesta quarta-feira (18/3) ao Correio.

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Segundo a parlamentar, a presença de mulheres trans em cargos de liderança provoca reação por romper estruturas históricas. “Quando ocupamos esses espaços, isso incomoda porque quebra uma lógica de desigualdade que sempre nos colocou à margem”, disse.

Ao comentar sobre os ataques que vem sofrendo por ter sido escolhida como presidente da Comissão da Mulher, Hilton ressaltou que identidade de gênero não limita a capacidade de representação. “O ser mulher não é apenas biológico, é social, cultural e político. Temos condições de debater todas as pautas que envolvem a vida das mulheres”, reforçou.

Para a deputada, a resistência à sua presença revela uma disputa mais ampla por espaço e reconhecimento. “Não é só sobre mim. É sobre pessoas que sempre foram empurradas para a marginalidade agora ocupando lugares de dignidade”, disse. 

Inauguração da Sala Lilás

A fala de Erika Hilton foi dada durante a inauguração da Sala Lilás na Câmara dos Deputados. O espaço tem o objetivo de acolher mulheres vítimas de violência. Na ocasião, ela classificou a inauguração da sala como um avanço institucional que representa a capacidade de mulheres influenciarem políticas públicas dentro de um ambiente ainda predominantemente masculino.

“É um momento histórico para a Câmara. Mostra que é possível, mesmo num espaço difícil, produzir políticas que garantam proteção e direitos”, afirmou.

A deputada também defendeu o aumento da participação feminina na Casa e citou a necessidade de ampliar mecanismos de representação. “Precisamos de uma Câmara cada vez mais feminina.”

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Por Wal Lima
postado em 18/03/2026 15:38 / atualizado em 18/03/2026 15:48
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