O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou como "paralisia" do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) o fato do comitê ter sido, até o momento, ineficaz nas tratativas para negociar o fim do conflito no Irã, após o país ter sofrido ataques dos Estados Unidos e de Israel, no dia 28 de fevereiro. Ele participou, nesta quarta-feira (18/3), da Comissão de Relações Exteriores no Senado.
"A paralisia da ONU e do seu conselho de segurança torna-se ainda mais evidente no atual contexto de conflito no irã. As Nações Unidas têm desempenhado papel secundário na nas tratativas relativas à crise, embora o Conselho de Segurança das Nações Unidas tenha realizado reunião de emergência, na tarde de 28 de fevereiro, e aprovado [em 11 de março] uma resolução [para exigir fim dos conflitos no Irã]", afirmou o chanceler brasileiro.
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O minstro ainda alertou sobre os efeitos inflacionários em combustíveis no Brasil e no mundo em decorrência dos conflitos no Oriente Médio. "Os preços do petróleo que estavam abaixo de 70 e ontem se não me engano chegaram a US$ 105. Então, para evitar são medidas para mitigar um pouco esse impacto enquanto não se chega a uma solução", afirmou Vieira aos senadores.
Governo teme greve dos caminhoneiros
Aumentos nos preços do petróelo em decorrência do conflito no Irã têm ligado o alerta do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o risco de desabastecimento por causa de uma possível greve dos caminheiros. O ministro dos Transportes, Renan Filho, anunciou nesta quarta que o governo adotará medidas mais rigorosas para garantir o cumprimento da tabela de pisos mínimos do frete no transporte rodoviário de cargas.
Entre as medidas, ainda em estudo pela pasta, estão aplicação de multas, impedimento de contratação de frete e, em último caso, a cassação do registro das empresas infratoras. Na avaliação dele, o governo também avalia responsabilizar quem insistir em desrespeitar a tabela passará a ser responsabilizado.
Outra iniciativa do governo Lula para evitar desabastecimento e uma greve de caminhoneiro foi o anúncio, na terça-feira (17/3), de um inquérito da Polícia Federal para investigar preços abusivos de combustíveis praticados em postos e distribuidoras.
Segundo Willian Murad, diretor-executivo da PF, a investigação foi aberta com o objetivo de evitar que aumentos nos valores de combustíveis ocorram na lógica de um cartel. "A Polícia Federal tem atribuição para fazer essa investigação em razão dos crimes de formação de cartel e contra a economia popular”, pontuou.
