
Na primeira reunião ministerial deste ano — em que se despediu de titulares de pastas que sairão para concorrer às eleições —, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou que Geraldo Alckmin será seu vice na chapa para buscar a reeleição. No encontro, no Palácio do Planalto, ficou claro que a estratégia de campanha será comparar os avanços conquistados na gestão petista em relação à do ex-presidente Jair Bolsonaro. Lula e ministros enfatizaram, especialmente, a evolução dos indicadores sociais.
Lula ressaltou que recebeu um Brasil destroçado. "Vocês contribuíram para que este país voltasse à normalidade e pudesse chegar a uma situção muito melhor do que aquilo que nós encontramos, infinitas vezes melhor. E que nós temos a obrigação de continuar fazendo com que melhore", destacou. "O país foi montado para não funcionar, e todos vocês sabem como o encontraram. E hoje este país está montado para funcionar."
Ele destacou o trabalho de recuperação dos ministérios e enalteceu o empenho de cada titular, em relação a outros governos e, sobretudo, ao anterior. "Não tenho dúvida nenhuma de que nós fizemos infinitamente mais, com mais precisão, com melhor qualidade, com o objetivo de atender os interesses do povo brasileiro", frisou. "A máquina está em andamento, e nós temos muito o que concluir até 31 de dezembro", acrescentou o presidente, dizendo-se "muito otimista".
O ministro da Casa Civil, Rui Costa, exibiu gráficos com as realizações do governo e disse que a gestão petista reorganizou as políticas públicas. Entre outras realizações, mencionou a saída do Brasil do Mapa da Fome; a queda da pobreza e da extrema pobreza, com programas como de transferência de renda; a redução da desigualdade de renda; e a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.
"Mentiras se combatem com dados, com verdade. Acho que nós temos de massificar essas informações e superar a versão com os fatos", afirmou. "Quando 40% da população responde numa pesquisa que está se informando via zap é porque está tendo a informação enviesada, unilateral, e é preciso que a gente alcance as pessoas, que elas tenham acesso às informações e ao trabalho que foi feito pelo governo."
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Rui Costa deu uma estocada no ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeiras. "Minha dúvida, Sidônio, é se o povo sabe disso. Temos de colocar como foco comparar (os governos Lula e Bolsonaro)", enfatizou. Pouco depois, insistiu: "Mais uma vez, Sidônio, o povo tem o direito de saber desses gráficos."
Por sua vez, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, destacou que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu "e isso gerou mais oportunidade de trabalho". "O desemprego caiu. A renda das pessoas aumentou, com a inflação para o mandato presidencial mais baixa da história", disse. "A gente aumentou a capacidade de aquisição das pessoas, então as pessoas têm mais renda e têm mais condição de ter uma vida melhor."
Alckmin na chapa
No discurso, Lula anunciou que Alckmin terá de sair do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) "porque ele é candidato a vice-presidente da República outra vez".
Foi a primeira vez que Lula confirmou a aliança. Nos bastidores, o presidente chegou a cogitar oferecer a vice para o MDB, legenda de centro, como forma de ampliar o leque político de sua candidatura.
A opção foi descartada após reação de Alckmin e do PSB, partido do vice-presidente. Rumores sobre a troca provocaram desgaste, e o ex-governador paulista disse a aliados que, se não participasse da chapa ao Planalto, não concorreria a nenhum cargo. Lula queria o aliado como candidato a uma vaga por São Paulo, na chapa com o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, que deve disputar o Palácio Bandeirantes.
Por outro lado, o próprio MDB reagiu à possibilidade e descartou a chance de fechar apoio nacional a Lula, já que grande parte dos diretórios estaduais são de oposição ao chefe do Executivo. Até o momento, Alckmin não possui um substituto no Mdic, mas o atual ministro do Empreendedorismo, Márcio França, é um dos cotados.
Saída de ministros
A troca inicial de ministro no governo será em 14 das 38 pastas. Outras quatro devem passar por mudanças até sábado, quando acaba o prazo para desincompatibilização.
A maioria dos ministros que deixam o cargo nesta semana será substituída pelos seus secretários-executivos, os segundos na hierarquia, ou por secretários especiais do governo. A exceção, até o momento, é o Ministério da Agricultura e Pecuária, que era comandado por Carlos Fávaro e passou para André de Paula, até então ministro da Pesca. Eles são do mesmo partido, o PSD, e Fávaro disputou a reeleição como senador pelo Mato Grosso.
No discurso, Lula incentivou a candidatura de seus ministros, após elogiar os resultados entregues até agora pelo governo. Para o petista, a política "piorou muito" nos últimos anos, inclusive com desgastes institucionais, e seus aliados têm como missão melhorar o cenário político.
"O importante é que vocês estejam convencidos da importância da participação de vocês. Da importância do cargo que vocês estão disputando. Que vocês estejam dispostos a entrar na vida congressual, na vida parlamentar, para ajudar a mudar a promiscuidade que está estabelecida na política mundial e na brasileira", afirmou. "Eu não canso de dizer que a política piorou muito. Hoje, ainda tem muita gente séria, que faz política com 'p' maiúsculo. Mas a verdade é que, em muitos casos, a política virou negócio."
Em sua maioria, os ministros vão concorrer a cadeiras no Senado e na Câmara, e a um eventual governo de estado. "Nós chegamos hoje a uma situação de degradação, inclusive, de algumas instituições. É possível consertar isso? É, através da política. Daí a necessidade de vocês serem candidatos. Porque é possível mudar, e isso vai mudar", frisou Lula.
O presidente comentou ainda sobre a decisão de substituir os ministros pelos secretários-executivos, e cobrou continuidade na gestão. "Eu tomei como decisão não ficar colocando ministro novo. A obrigação de quem vai ficar é concluir, e fazer com que a máquina continue funcionando, sem paralisia", destacou.
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