
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado, deve ouvir, nesta quarta-feira, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em meio ao avanço das investigações sobre o caso do Banco Master. A expectativa dos parlamentares é de que o depoimento ajude a esclarecer possíveis falhas na fiscalização do sistema financeiro e relações entre agentes públicos e setor privado.
Galípolo foi convidado a participar da sessão — o que, em termos regimentais, torna sua presença facultativa —, mas já confirmou que comparecerá à oitiva, segundo anunciou o relator da CPI, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE). A comissão também aguarda o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, convocado como testemunha.
A sessão ocorre em um momento decisivo para a comissão. O colegiado vai encerrar as atividades no dia 14. Vieira pretendia estender os trabalhos e reuniu as assinaturas para a prorrogação, mas ouviu do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), em reunião nessa terça-feira à tarde, que isso não correrá. O chefe do Congresso argumentou que ampliar o prazo das atividades não seria adequado em ano eleitoral.
"A decisão de Vossa Excelência foi pela não prorrogação. Depois, verbaliza os motivos pelos quais o senhor tomou essa decisão, mas é meu dever registrar publicamente que entendo a decisão como um desserviço para o Brasil", disse Viera, no plenário. O relator anunciou que, ante a negativa de Alcolumbre, o relatório final será votado na terça-feira.
Vieira descartou recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir mais prazo à comissão, após decisão recente da Corte contrária à prorrogação de outro colegiado, a CPMI do INSS.
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Planalto
Um dos principais pontos de interesse da CPI é uma reunião realizada no Palácio do Planalto, em novembro de 2024, que não constou na agenda oficial. Segundo reportagens, dela participaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o empresário Daniel Vorcaro, dono do Master, e o próprio Galípolo.
O senador Eduardo Girão (Novo-CE), autor do requerimento que convidou o atual presidente do BC, afirma que o objetivo é garantir transparência institucional. No documento, ele destaca a necessidade de esclarecer se houve qualquer tipo de interferência política ou econômica indevida em processos de supervisão do sistema financeiro.
A oposição pretende explorar esse episódio como parte de uma estratégia para questionar a relação entre o governo federal e o empresário investigado, ampliando o desgaste político em torno do caso.
"A oitiva pretendida não se dirige à atividade técnica do Banco Central em si, mas à necessidade de assegurar transparência institucional e afastar quaisquer dúvidas sobre eventual interferência política ou econômica indevida em processos de fiscalização e controle do sistema financeiro, temas diretamente relacionados ao objeto desta CPI", argumentou Girão no requerimento.
A convocação de Campos Neto foi feita a pedido de Vieira, que o considera uma "testemunha qualificada" para detalhar critérios de idoneidade adotados pelo Banco Central em suas atividades de supervisão.
O requerimento também resgata decisões anteriores da autarquia, como a autorização concedida, em 2019, para que Vorcaro assumisse o controle do então Banco Máxima — posteriormente rebatizado de Banco Master.
O documento ainda menciona a Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, que apura suspeitas de atuação irregular de servidores do Banco Central em benefício da instituição financeira.
Durante a oitiva, os senadores devem pressionar Galípolo sobre o funcionamento da estrutura de fiscalização do Banco Central, incluindo: critérios para autorização e acompanhamento de instituições financeiras; eventuais falhas nos controles internos; e mecanismos de prevenção a irregularidades no sistema bancário.
Vieira já sinalizou que o depoimento também deverá abordar propostas de aprimoramento regulatório, diante das fragilidades apontadas pelas investigações.
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