
Documentos enviados pela Receita Federal à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado revelam que o Banco Master desembolsou mais de meio bilhão de reais com escritórios de advocacia entre 2022 e 2025. Ao todo, 91 bancas aparecem como beneficiárias, sendo que ao menos 15 delas receberam valores superiores a R$ 10 milhões no período.
Os dados, obtidos pelo jornal Folha de São Paulo, indicam uma escalada significativa desses gastos ao longo dos anos. Em 2022, as despesas com advocacia somaram cerca de R$ 40,1 milhões. No ano seguinte, subiram para R$ 56,8 milhões. Já em 2024, quando a Polícia Federal intensificou investigações envolvendo o banco, os pagamentos saltaram para R$ 183,7 milhões. Em 2025, sob maior pressão de autoridades e em meio a negociações com o Banco Regional de Brasília (BRB), o montante declarado ultrapassou R$ 262,4 milhões.
O maior volume de recursos foi destinado ao escritório Barci de Moraes, ligado à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Segundo os registros, a banca recebeu R$ 80,2 milhões em cerca de 22 meses.
Outro destaque é o advogado Walfrido Warde, cujos escritórios somaram R$ 76,6 milhões no período. Ele atuou por anos na defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e é citado por investigadores como articulador de uma estratégia jurídica considerada agressiva para reverter decisões contra a instituição no STF e no Tribunal de Contas da União (TCU). A defesa afirma que respeita o sigilo profissional.
Na lista também aparece o Gabino Kruschewsky Advogados Associados, com cerca de R$ 54 milhões recebidos. A banca afirma ter atuado em mais de 45 mil processos do banco e sustenta que os valores são compatíveis com o volume de ações. Já o escritório Monteiro, Rusu, Cameirão e Bercht declarou ter recebido informações incorretas sobre os pagamentos e afirmou que ainda enfrenta inadimplência por parte do Master.
Os documentos da CPI também registram repasses a figuras de destaque da política. O escritório do ex-presidente Michel Temer foi contratado para atuar em negociações envolvendo o banco e teria recebido cerca de R$ 10 milhões, valor parcialmente contestado pelo próprio Temer. Já a Lewandowski Advocacia, ligada ao entorno do ex-ministro do STF Ricardo Lewandowski, recebeu ao menos R$ 6,1 milhões por serviços de consultoria jurídica.
O presidente do União Brasil, Antonio Rueda, também aparece entre os beneficiários, com R$ 6,4 milhões declarados desde 2023. Em nota, ele afirmou que a atuação é compatível com o exercício da advocacia.
A evolução dos pagamentos coincide com o período em que Vorcaro ampliou sua atuação no mercado financeiro e intensificou estratégias para captação de recursos, além de buscar interlocução com autoridades. O banqueiro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025, durante a Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal. Atualmente, ele está detido em Brasília e negocia um acordo de delação premiada.

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